Ira e razão

São duas horas da tarde e uma pessoa descansa. Ela trabalhou toda a manhã. Ainda tem que fazer algo importante, antes que chegue a noite. O descanso já se estende por mais de uma hora e meia. De repente alguém chega no local e, falando alto e com atitude insolente, cobra a tarefa do outro. Em seguida esta pessoa sai.

Aquele que descansava agora imagina formas de vingar-se: comentar sobre aquela má atitude com a esposa so outro, com a mãe ou o chefe dele. Então lhe ocorre um bom par de frases para dizer ao próprio inconveniente. Ele vai ouvir umas verdades! Um pouco depois, ele se imagina dizendo aquelas frases não como ataque, mas para ensinar algo ao outro. O sujeito precisa melhorar o jeito com que fala com as pessoas! Pensa essas últimas coisas já se mexendo. Na verdade ele está há meia hora fazendo com bastante disposição aquilo que precisa fazer.

Na República, Platão, fala sobre as propensões intelectual, timótica ou apretitiva, da alma humana. Recebem atenção cada uma dessas propensões, suas características, necessidades de educação e importância para a cidade ideal justa. O thymos é o responsável pelo orgulho e o senso de justiça. É o órgão dos soldados. Os soldados precisam ser educados em seu thymos para que sua irascibilidade sirva à defesa da cidade contra suas ameaças, e não contra seus concidadãos. A educação artística é empregada para matizar o impulso timótico e fazer com que a razão consiga agir sobre ele.

Desde o seu início, a filosofia trata do eventual sentir-se ferido por uma injustiça, que pode ser seguido pelo perder a cabeça para buscar reaver a justiça, e da necessidade de que a razão tempere a ira.

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