A Barbárie Fora das Prisões

Sabe qual é a causa de você não conseguir explicar conceitos básicos humanitários no Brasil ( até mesmo Direitos Constitucionais): veja quanto se investe em educação no país.

Entretanto, os efeitos mais notórios da deseducação estão fora da prisão. Estão nas pessoas que irão dizer “então não indenize as famílias dos presos, vamos construir escolas” , este é um pensamento mágico, de quem não aprendeu nada de planejamento e investimento em termos de civilização. Estão em pessoas que não sabem diferenciar um crime cometido sob a tutela do Estado e outro cometido sem a tutela deste. Estão, também, em pessoas que acham que podem violar a CF e impor pena de morte [sugestão de algumas autoridades brasileiras]. E outras que acreditam que os filhos dos presos devem pagar por crimes que seus pais cometeram ( estas não entendem que a indenização cumpre uma função constitucional a PESSOALIDADE DA PENA, a pessoalidade da sanção penal, onde a pena não deve ultrapassar a pessoa do condenado).

Ignorando tudo, as pessoas, inclusive algumas com graduação em Direito, pedem que as famílias dos presos paguem pelos crimes, isto é visto na fala “vamos indenizar famílias de bandidos?” e defendem, da forma mais tortuosa possível, a indenização para as famílias das vítimas dos criminosos. Entretanto, isto é apenas um subterfúgio para justificar a morte e a não indenização de famílias dos presos mortos; já que se pensarmos por um minuto a mais nesta solução, chegaremos a ideia de um Estado que é uma agência de seguros. E, ainda, uma nação que admite a falência de sua força policial e teríamos um aumento considerável dos impostos (de onde sairão os pagamentos para as famílias de todas as vítimas de homicídio, etc?!). Já imaginaram como seria um julgamento para comprovar a necessidade real da indenização à família…e no caso da família cometer crimes contra a própria família (o caso de Campinas-SP, do réveillon deste ano), como seria feita a indenização?

Enfim, espero que tenha ficado claro que a transferência de indenização da família do preso morto na cadeia à família que foi vitimada pelo preso é mero subterfúgio para manter uma barbárie. E que pessoas que tem estas “propostas” não conseguem fazer duas inferências, dar dois passos à frente em suas ”propostas”, e assim concluir que são inexequíveis. Claro que muitas pessoas querem propor algo inexequível, pois desta forma continuará a barbárie. Devemos manter estas pessoas longe de cargos de comado por dois motivos: primeiro, propondo algo inexequível é evidente que nada será executado e a situação continuará ou ficará pior; segundo, é uma atestado de incompetência tais medidas (indenizar as vítimas ou famílias de crimes civis comuns).Pois o que se propõe é um agenciador de seguros e não uma força policial (Segurança) que aja preventivamente (Segurança não é indenizá-lo se algo acontece, mas ter uma força estatal que permita, através de várias medidas, que nada aconteça com você! ).

E, se a inteligência é um atributo estimável para você, temos, então, mais um motivo para deixar de repetir slogan bobo e partidário. Saiba que quaisquer propostas, em nível executivo (principalmente!), deve vir acompanhada com a pergunta “COMO?” .

Professor de filosofia e membro do CEFA.
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3 thoughts on “A Barbárie Fora das Prisões

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