A ótima escola, o ótimo aluno

O professor mostra para a turma uma matéria de jornal que diz que os alunos brasileiros não encaram os desafios da escola. Os alunos querem sempre uma ajuda do professor. Segundo Sloterdijk, o homem se desenvolveu como espécie a partir da criação de invernadas, espaços de proteção da imaturidade dos seus filhos. A administração da própria vida ou da vida de coletividades se dá a partir da organização de um parque climatizado, onde os homens podem crescer com proteção.

Sem dúvida isso é potencializado nos tempos atuais, em que há produção de riquezas e, por isso mesmo, tem como importante questão a distribuição dessas riquezas. Não há carência de recursos, então não há justificativa para haver desigualdade no acesso a eles. Todos pleiteiam, com justiça, um mimo.

A escola é um desafio para a criança e o jovem. Nem todos conseguem dar conta dele. Sem dúvida há o professor e o aluno que operam na perspectiva da necessidade, “falta-me algo que eu sempre busco preencher, e ao imaturo que está diante de mim também  sempre falta algo que precisa ser preenchido”. O mimo, o autocuidado da espécie, não necessariamente gera o necessitado: em bons casos, a partir do espaço protegido emerge o sujeito, aquele que se fez por si mesmo. No caso da escola, ele a encarou orgulhosamente.

O orgulhoso é aquele que se vê como tendo alguma coisa para oferecer. Ele não é o desprovido de recursos. Ele é aquele que tem abundância de recursos, e se apresenta. Já o autodidata exemplifica aquele que não se apresenta, pois refuga diante da escola. O professor é importante, ao ser agente de incitação do orgulho das crianças, ao apresentar-se para elas e cobrar-lhes auto-apresentação.

Um país em que os indivíduos se vêem dotados de algo, portanto tendo alguma coisa para oferecer, é aquele que gera riquezas. Os necessitados, por sua vez, vivem em busca da oportunidade de se darem bem. E querem a destruição do lugar que os conclamou a serem sujeitos, nos primeiros anos: justamente a escola. A escola guarda nossos primeiros medos, ousadias, desistências e glórias.
É preciso cuidarmos para que haja boas escolas, ou seja, escolas desafiadoras, a serem enfrentadas e que dêem vitórias de alto valor. E escolas acolhedoras da coragem do fazer-se sujeito, dos alunos.

 

*Quer conhecer o filósofo alemão Peter Sloterdijk? Pegue “Para ler Peter Sloterdijk”, do filósofo Paulo Ghiraldelli Jr, editora Via Veritá,  e “Esferas I”, de Peter Slotetdijk, editora Estação Liberdade.

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