A carteira verde e amarela de Paulo Guedes

O que é o verde e amarelo, ultimamente, senão o presságio de que algo ruim irá surgir? Repare bem o quanto vimos estas cores passeando por aí. Algo de estranho se anunciava. As camisetas da seleção saíram do empoeirado de onde estavam. Aliás, é assim que o brasileiro recupera seu patriotismo, veste-se com o futebol e está tudo resolvido. Daí que surge a patrulha das cores que alguns setores se encarregam de tomar conta. Lembram-se da indignação, do espanto, daquela senhora que confundiu, no Congresso, o vermelho da bandeira do Japão com um “símbolo comunista”? Pois é, o vermelho, ironicamente, os amedronta. E não é pra menos, somos a nação de duas cores: verde e amarela. E Paulo Guedes não escapou disto, este quer nos introduzir a carteira de trabalho verde e amarela.

Mas o que é a nova carteira de trabalho banhada a patriotismo? Segundo o próprio programa de governo de Jair Bolsonaro, a carteira verde e amarela permitirá que “o contrato individual prevalece sobre a CLT, mantendo todos os direitos constitucionais)”. Mas que bênção será! Agora poderemos negociar diretamente com nosso empregador, para ampliarmos nossos benefícios. Poderemos ter 14° salário, auxílio-moradia ou apartamento funcional, para quem morar longe. Também poderemos ir de táxi para o trabalho, com tudo pago, só para nossa comodidade. Basta negociarmos para que isto aconteça! Claro, seria assim se o empregado ditasse os termos do contrato, mas obviamente não é. Quem participa do mercado de trabalho sabe disso. Via de regra, quem dá o ritmo da dança é o empregador e se a música não apetecer o empregado, que venha o próximo participante!

Portanto, a intenção desta nova carteira fica clara: atropelar a nossa CLT. Não sabemos quais direitos trabalhistas poderão ser desprezados. Podem ser as férias, o salário mínimo, o 13°, as folgas, a jornada de trabalho etc. Bolsonaro parte do princípio que o gasto que o empregador tem é por demais oneroso. Ideal mesmo seria se a parte pobre da população entregasse sua força de trabalho por um prato de comida, para que assim o “empreendedor” possa alavancar sua vida. Aliás, no Brasil, há uma tendência que ronda os pensamentos de tomar as dores do mais forte e esquecer do desprotegido. Que as elites e quem se imagina como, que elas sempre irão abraçar seus próprios interesses, isso é claro! Mas o peculiar é uma parcela da população mais pobre se deixar ideologizar e tomar o partido do outro lado. Bolsonaro, no Roda Viva, soltou uma pergunta icônica que floreia bem o que quero dizer: “Quem quer ser patrão no Brasil?!”, querendo dizer que é muito difícil ser patrão. Ou seja, é difícil estar do lado do mais forte, é preciso que tornemos a vida do mais forte ainda mais fácil. A propósito, agora os mais abastados descobriram uma ótima técnica para ganhar simpatizantes: o vitimismo. Agora, os ricos são pobres coitados, sobrevivendo a duras penas aos açoites da CLT. Coitados! E mais impressionante é quem não pertence a esta classe social endossar essa farsa.

É estarrecedor viver num país tão desigual e mesmo assim encontrar pessoas dispostas a aumentar a nossa desigualdade ainda mais. Como é possível um governo pautado pelas retiradas, pelo negativo, num país onde tudo falta? Nossa terra clama por atenção e cuidado e não pelo desmantelar daquilo que com zelo foi edificado. Mas os aspirantes a seres humanos se nutrem apenas da destruição: destruição dos direitos humanos, destruição dos direitos trabalhistas e principalmente destruição do ensino e do professorado. Até quando as intenções se revelam inconstitucionais, eles elaboram subterfúgios para confundir a lei. E assim marcha o Brasil para a sua ruína.

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One thought on “A carteira verde e amarela de Paulo Guedes

  1. Querido, o país é desigual porque foi desgovernado por muito tempo.
    Os últimos governos aumentaram em muito a desigualdade entre pobres e ricos.

    Já morei na Austrália e os contratos de trabalho são assim como a opção bolada por Paulo Guedes.
    Ou você acha que um liberal clássico ia ter ideais socialistas como temos desde a constituição vigente?

    Como Guedes disse, será uma OPÇÃO para os jovens. Existem regras trabalhistas que estão na constituição e não podem ser mudadas, então pare de drama e se informe!

    Nos EUA, existem pouquíssimas leis trabalhistas, eles são a maior super potência do mundo
    e atualmente possuem mais vagas de trabalho do que gente pra preenchê-las.

    Se tivermos nos Brasil as duas opções, qual seria o problema sendo que os jovens aqui estão sem emprego, bem como a população em geral?

    Abraços

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