A consciência quebrada

Eu estou ciente de “x é ruim.” Isso é um saber. Agora, eu estou ciente de que estou ciente de “x é ruim.” Isso é consciência, e me encaminho para agir rejeitando ou abraçando x.

Marilena Chauí, autora de importantes obras de filosofia no Brasil, sabe que Sérgio Moro não foi treinado pela Cia. Entretanto, ela andou dizendo isso. Ela fez que não tinha consciência desse saber dela.

Por que alguém faz de conta que não sabe o que sabe? Para não se responsabilizar, pois só quem sabe pode ser responsabilizado por isso que sabe.

O saber que Chauí demonstrou em “A nervura do real” certamente lhe deu gosto. Já o saber dela de que está errada ao afirmar que Moro é um agente da Cia, pois isto é improvável, é substituído por um falso saber. E pela vida que este falso saber ganha no meio da militância eu não me espantaria se ela se orgulhasse dele.

Todos sabem que Bolsonaro é fascista e que o Haddad é quadrilheiro. Mas muitos fazem de conta que não sabem uma dessas verdades, e abraça a outra. Este abraço aparece no apoio ao candidato que diz combater o sujeito da verdade abraçada. A consciência foi interrompida quanto ao saber que depõe contra esse candidato apoiado. Se foi interrompida, deixou de funcionar, ela não pode pesar e responsabilizar-se.

Haddad eleito, e Petrolão 2 aparecendo em quatro anos, ou Bolsonaro eleito, e tentativa de golpe militar acontecendo, o votante em cada um deles poderá perfeitamente dizer que não sabia de nada.

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