A Grande Revolução

A Grande Revolução

A grande revolução que fez com que a cultura ocidental se diferenciasse do resto do mundo foi a crítica de Platão ao rapsodo. Ou melhor dizendo, o combate de Platão contra Homero.
A partir de Platão, nunca mais seria aceita a figura do rapsodo que educa o povo enquanto canta e professa, sem diálogo algum, cantos míticos sem nenhuma espécie de argumento ou raciocínio. Nunca mais será aceito qualquer profecia professada por um agente autoritário.
Educado por Sócrates, Platão influenciou o mundo ocidental de forma com que nunca mais foi aceito o dogma sem raciocínio, nem a conclusão sem argumentos.
A conversação e o diálogo público teriam como carro-chefe a lógica e os bons argumentos, não mais os exemplos sem nexo, nem as frases floridas sem conteúdo – como faziam os sofistas.
Porém este processo não foi concluído até nossos dias. Como sabemos todos, estamos longe de viver em um mundo em que não se crê no que não é demonstrado.
A internet é o que faltava para que se pudesse concluir este processo, pois. ela e apenas ela permite que todas as relações sejam horizontais. Explico-me, a internet é a única a possibilitar que todos deem uma resposta, na mesma plataforma, a qualquer interlocutor (ou professor) que queira manifestar um raciocínio. Sem esta liberdade, sem esta possibilidade, não fomos capazes de tornar horizontais nossas discussões públicas e nossa produção de informação e conhecimento – nem com a escola pública gratuita.

Por tudo que expus acima, ouço quase como um canto alvissareiro de novos tempos o vídeo gravado pelo blogger Izzy Nobre incentivando todos a criar conteúdo na internet.
Apenas quando todos tiverem voz – o dia dos pesadelos para todos os intelectuais carcomidos – teremos uma verdadeira democracia. Afastando a influencia do poder econômico e da corrupção, poderemos ser finalmente uma república plena, que nos aparecerá como um meio para a conquista da felicidade, e não uma barreira.

Pedro Possebon, 7 de janeiro de 2017, Santo André – SP

Escritor.

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One thought on “A Grande Revolução

  1. O que dizer então de Nietzsche (que não somente denunciou a intenção platônica de enfraquecimento do homem, como também denunciou a potencialização da gravidade que são os métodos cristãos, o platonismo para o povo nas palavras dele) que não imaginou o ascetismo da forma que Sloterdjik o fez e que demonstra a tendência ao surgimento do falado além-do-homem? Este homem atual e ainda carnívoro e que ainda precisa de um peso, seja ele político ou religioso, no futuro terá, muitos já o tem, um descendente não comerá aqueles que podem ser cativados. Em um sentido mais amplo, estou a falar aqui do homem que viverá quase que plenamente a leveza, pois também precisará de elementos que façam peso, neste caso o próprio valor da leveza. Os princípios cristãos de caridade e cuidado estarão escancarados no ethos propiciando a criação tão desejada por Nietzsche, inimagináveis por ele sendo também geradas com a racionalidade da herança platônica.

    Agradeço pela atenção de quem ler, responder e criticar (no sentido filosófico do termo) esta teorização.

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