A PEC 241 pode revolucionar o Brasil!

Primeiro fato: 99% das pessoas que estão reclamando da PEC 241 não leram o texto da Proposta de Emenda a Constituição. E mesmo os que leram, pouco ou quase nada entenderam. Em um país como o nosso, onde o jovem mal consegue interpretar uma simples frase, jamais conseguirá interpretar um texto jurídico. No auge de nosso autodidatismo – pois no Brasil ninguém precisa de professor ou escola, já que todos vencem as dificuldades da vida e aprendem por conta própria – as pessoas agem como “Maria vai com as outras”, e ouvindo frases prontas de seus gurus midiáticos, repetem jargões prontos sem o mínimo de raciocínio.

Segundo fato: no Brasil a administração é totalmente ineficiente na utilização do dinheiro proveniente dos nossos impostos. Em outras palavras, o retorno dos impostos que pagamos é muito baixo, acarretando em péssimos serviços públicos. Pagamos valore altíssimos de taxas e tributos, e quando recorremos ao Estado para pegar de volta, é como se recebêssemos a porta na cara. Literalmente, o poder público toma para si o dinheiro e consigo fica – literalmente fica com eles!

Diante disso a PEC 241 pode transformar o Brasil. A explicação é simples: com menos recursos, pode-se haver um movimento pela melhoria na eficiência do gasto público, acabando com desperdícios e forçando a qualidade dos serviços públicos. Talvez essa seja o caminho que devamos seguir, haja vistas que nos últimos anos mais dinheiro não significou melhoras na saúde, educação, etc.

Tomemos como exemplo a educação. O FUNDEB foi um fundo criado em 2007 para valorizar o magistério e garantir qualidade da educação pública. Neste ano o fundo totaliza algo em torno de 140 bilhões de reais. Saímos de 3,7% em investimento do PIB para educação no ano de 2003, para algo em torno de 5,9% em 2015. A qualidade melhorou? E a infraestrutura das escolas? O salário do professor agora é atraente? Para todas essas perguntas, a reposta é não! Mais dinheiro não foi sinônimo de melhoria do salário do professor, e muito menos das condições de trabalho. Nossa educação continua no fundo do poço. Isso tudo porque o dinheiro veio, mas foi muito mal gasto. Escorregou pelos ralos da corrupção e da ineficiência do Estado brasileiro.

A PEC 241 pode sim ser a grande oportunidade de revertermos esse quadro. Com menos dinheiro em caixa – isso não quer dizer que haverá cortes – ou em outras palavras, com uma bonança menor e mais contida, haverá sem dúvida mais pressão para melhorar o gasto público. Talvez se conseguirmos vencer o preconceito – e olha que a esquerda sempre pede isso – as pessoas possam realmente parar para pensar um pouco. Precisamos pensar por novos caminhos, e sair da dualidade esquerda versus direita. Sejamos inteligente… ao menos uma vez.

Licenciado em História pela UFRuralRJ, cursando especialização em Ensino de História pelo Colégio Federal Pedro II. Professor de História da rede pública no Rio de Janeiro. Pesquisa história antiga, especificamente Jesus Histórico, judaísmo, Judeia Romana e Cristianismo Primitivo.
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4 thoughts on “A PEC 241 pode revolucionar o Brasil!

  1. Todo esse discurso é belo, não fosse o contexto, não fosse a história. Nem estou me referindo à dualidade esquerda e direita. Refiro-me ao modo como os governos se portavam antes do teto mínimo para a saúde e a educação. Não tenho notícias de que quando o investimento era baixo os recursos fossem melhor utilizados.
    A outra questão é que a PEC- 241 sofre do mal da inutilidade, isto é, não resolverá os problemas das contas públicas. Vá lá, se estivéssemos sob um governo lícito, eleito, poderíamos confiar num plano de governo debatido (ou não, se ele se desvirtuasse como ocorreu). Esse governo não tem legitimidade nem se peta de forma legítima. Sejamos coerentes… ao menos uma vez.

    1. Ibsem, em seu primeiro ponto, você não explica de que forma a história, que você evoca, mostra que essa PEC atual não é boa. Seu argumento foi iniciado, mas não concluído. O que você iria dizer?
      No seu segundo ponto, não entendi a contradição que você estabeleceu entre o tal “governo ilegítimo” e o que você fala sobre a inutilidade da PEC.
      Se o texto tem um discurso belo, belo ele continuou, pois você não conseguiu apontar nenhum pecado.

    2. Ibsem, meu caro. Na década de 50 os recursos para a educação eram escassos, e o professor da escola básica (normalista, que nem nível superior possuía) ganhava bem como advogados e médicos. Os recursos públicos poderiam não ser aplicados de forma exemplar, mas eram melhor aplicados do que hoje. Agora, você mesmo respondeu a questão: se com muito ou pouco recurso a qualidade da educação não melhora, pois o dinheiro é mal gasto, para que mais recursos então? Ah sim, para a corrupção desenfreada instalada pelo PT, correto!

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