A urgência não pensa

Pensar é construir conceitos. É conter-se na ação e criar um não lugar, algo fora de qualquer particularidade. Essa é uma herança platônica, nossa.

“As mulheres precisam ser empoderadas”. Que mulheres? Todas? E que poder? Poder-fazer o que? Essas perguntas delimitariam a mulher empírica x, y ou z, e o poder x, y ou z.

A definição dos particulares permite ir além deles. Permite finalmente encaminhar a construção do conceito de mulher e de poder.

A frase “As mulheres precisam ser empoderadas.” supõe a existência de uma opressão generalizada sobre a mulher. Por isso, ela pede um poder também generalizado.

A frase também sugere uma mulher universal, escondendo uma experiência particular que quer se absolutizar. Contra o poder que supõe absoluto, a frase propõe outro absoluto. Ela patina no platonismo.

Existem diferentes mulheres, que possuem diferentes experiências e, no interior dessas experiências, há diferentes experiências de poder e de falta de poder.

Esse esmiuçamento é um caminho para se elaborar um discurso social não absolutista, mas perspectivista e pragmatista. E também é um caminho para se pensar os conceitos.

As mulheres querem a mesma coisa? Elas querem a mesma coisa que você, militante?

E o que é a mulher? O que é o querer? Há de se ter um lugar a salvo da urgência do mundo, para se pensar.

P.s.: Baseei-me, aqui, neste texto do filósofo Paulo Ghiraldelli Jr: http://ghiraldelli.pro.br/filosofia/pragmatista-e-o-platonista.html

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One thought on “A urgência não pensa

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