As nudezes não são transparentes

O nu na praia não é erótico, nem pornográfico: é urbano.
O nu no teatro ou no museu não é erótico, nem pornográfico: é artístico (o chamado “nu artístico” é erótico, mas esse não era o caso da performance no MAM).
O nu na rua, em uma manifestação não é erótico, nem pornográfico: é expressão pública.
O nu em casa, com quem cria a criança, não é erótico, nem pornográfico: é íntimo.
O nu em sala de aula não é erótico, nem pornográfico: é educativo.
Viver essas situações faz uma criança mais atenta, e um adulto mais feliz.
É preciso explicar para os toscos essas diferenças que a civilização põe para a nudez.
Há liberdade para se viver essas experiências, e também para se furtar a elas. Mas essa diversidade de nus, eu quero que elas possam existir.
E o erótico e o pornográfico, diferentes entre si, também têm seus lugares.
Eu não confio em deixar que um filho vá à praia com quem confunde essas coisas.
Quem vê erotismo ou pornografia em uma performance não está pronto para viver com os outros, pois é um real potencial abusador.
O Brasil já foi governado por gente que, em nome de defender a família, abusou e destruiu inúmeras pessoas e familias. A incultura geral está trazendo esse falso bom mocismo de volta. É preciso estar atento a essa ameaça à civilização.

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