Democracia e liberdade na escola e no Enem

Não se gosta de deixar o mal falar. Preconceitos, atitudes discriminatórias ou persecutórias são tomadas como figuras do mal. Na escola e na academia corre um discurso repetitivo. A repetição se dá pela apresentação de conceitos como slogans, sem profundidade. Essa repetição procura formar não a capacidade de refletir, mas de agir. Um agir único, em oposição às figuras do mal. 

Esse discurso é um espelho para alunos e professores. Eles ficam colados a essa superfície. Outros discursos também aparecem na escola, não como discurso oficial, mas de alguns alunos. Esses alunos querem falar, na escola. Isso, sem dúvida, tem um interesse de confrontação com o primeiro discurso. Contudo, não é crítico dele, não é o negativo dele. É outra afirmação, outra positividade, outra incitação de ação. 

O que um discurso acusa como preconceito não é rebatido: o acusado, ao se defender, não se diz isento de preconceito. O acusado apresenta um outro discurso, sem discutir o primeiro. 

No contexto do Enem, preocupa aos partidários do primeiro discurso que o partidários do segundo se expressem. Ele já se expressa demais em outros lugares, e não precisa se expressar ali. O contexto é feito pelo texto. Os participantes do contexto do Enem não querem a mudança dele. 

A escola democratizou seu acesso. Mas seu conteúdo, devendo basear-se no melhor do conhecimento, não pode ser democrático. A escola quer ser democrática, mas seu fundamento é a valorização do saber de elite. E precisa ser. A igualdade nunca significou uma igualdade na mediocridade. 

A escola também quer fomentar a liberdade mas, em nome de se alcançar o melhor, não deixa que se diga qualquer coisa sem que essa coisa receba a ação educativa. Os discursos-espelhos que ocorrem na escola, visto que igualam seus praticantes, e tira-lhes a liberdade de melhorarem, podem existir na escola, mas não ser endossados por ela.

“Democracia” e “liberdade” aparecem na boca de todos, justificando seus discursos. Mas eles garantem a expressão atual desses discursos, não a manutenção deles. Por aquelas palavras, todo discurso deveria melhorar e não homogeneizar. 

No Enem, o aluno não é posteriormente chamado a responder pelo que escreveu. Ele escreve e sai andando. E a escola fica exposta. Isso explica o medo daqueles que não querem ser confundidos com o “mal do mundo”, e então tentam censurar.  

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