Eleições 2018: a volta dos líderes morais?

Ao contrário das teses alarmistas que rondam nosso debate democrático, o Brasil não irá ‘’se transformar num neofascismo’’, tal como diz tremer de medo a esquerda, muito menos ‘’voltará ao domínio do PT’’ caso algum líder de esquerda seja eleito neste ano. O motivo? É bem simples: a Presidência da República tenderá a ser ocupada por um líder moral.

Há pouco, quando do julgamento do habeas corpus de Lula no STF, escutamos da boca do Comandante do Exército, o general Villas Bôas, uma declaração que, no calor do momento, levou a entendimento radicalmente diferente nas mentes dos apoiadores e contrários à prisão do ex-presidente. Como resultado, os abutres das fake news espalharam o cheiro da carniça por todas as timelines, do Oiapoque ao Chuí. Assim, aquilo que tinha a intenção de dizer que as forças armadas cumpririam as decisões tomadas pelo Estado Democrático de Direito, tornou-se, nas casas mais criativas, uma ameaça de “intervenção militar” caso Lula fosse livrado da prisão.

Intencional ou não, a declaração de Villas Bôas veio em mal hora e, sem a clareza necessária a qualquer texto com similar potencialidade, gerou a impressão de insubordinação, de um comandado que a qualquer momento poderia vir a comandar seu comandante. Na linguagem das ruas: o general estava a meio passo de enrrabar Carmen Lúcia, Temer e, consequente, nós mesmos! E mantendo a linguagem: onde estava Temer, que é o verdadeiro chefão, para comer o rabo do azeitona e mostrar quem é que manda?

No Brasil, o Presidente da República é chefe de governo e chefe de Estado, aprendemos na escola. Mas nessa mesma escola aprendemos, nas aulas de história, que muitos dos nossos (poucos) presidentes jamais tiveram força para exercerem todas as suas funções. Voltando a Temer, por exemplo, alguém seria capaz de dizer ver nele status de um líder? E quanto a líder moral, a situação não piora? Ora, antes de mais nada, o líder moral é alguém que tem moral.

É neste contexto que devemos saudar a saída de Lula do páreo. Sem ele, cai seu “arqui-inimigo” Bolsonaro. Sem ele, entra, em nossas salas, Ciro Gomes e Joaquim Barbosa, que, às suas diferenças, colocarão em pauta, mais que esferas do liberalismo, desejos e ações de quem tem moral para falar.

IBM

Isaias Bispo de Miranda é violoncelista com formação na Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP). Graduando do bacharelado em Ciências e Humanidades e do bacharelado em filosofia, ambos na Universidade Federal do ABC (UFABC), estuda a obra do filósofo alemão Peter Sloterdijk pelo Centro de Estudos em Filosofia Americana (CEFA), onde também é membro.

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