Existência em fogo brando

Não há como ficar sossegado ao ler uma filosofia que critica você. Guy Debord, na Sociedade do Espetáculo, fala que produzimos o que é separado de nós, e que é movido por forças que nos são estranhas e completamente independentes. Este espetáculo se torna o real.

Debord reativa Marx (e não o mata, como fazem os marxismos que têm por aí). O mundo funciona assim, totalmente proletarizado, totalmente alienado. E o proletario não se sente em casa em parte alguma.

Bem, como diz Ghiraldelli, na atual forma do espetáculo, vestimos as marcas do que um dia se separou de nós. Ganhamos identidade, por elas. Talvez isso nos dê uma sensação de casa: a marca-identidade, o reconhecer a si mesmo em algo que existe em qualquer parte. Quem é dá marca “Vans” pode ir a qualquer lugar do mundo, que continua sendo quem é. A marca é o que nos faz existir.

A critica da filosofia tem o poder de nos tirar de casa, pseudo casa, para poder vê-la, fazer sua crítica. Esse é o problema dos banalizadores da filosofia, como Bauman: são um produto que parece uma critica, mas que apazigua quem o lê. A pessoa fica satisfeita em dizer que “o mundo é liquido”, reconhece a si mesmo na parte do espetáculo que mostra o “pessimismo”. Pessimimo guiado, atiçado de leve e aquietado, por marcas.

Em qualquer lugar do mundo se indica Bauman. Faz-se a indicação para todos, mas poucos efetivamente o leem. A paciência da leitura não é para todos, e ela tempo risco de nos por no desamparo do olho da rua.

O garoto que assume o pessimismo-brand se identifica com pessoas de qualquer lugar do mundo, via Facebook. Então ele descansa em paz, existindo nesse fogo brand-o.

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