Explicando o que a esquerda e os professores não conseguem explicar sobre a relação entre o salário docente e o desempenho dos alunos


O professor Claudio de Moura Castro escreveu um artigo na Revista Veja intitulado “Professor ganha mal?” e imediatamente gerou revolta entre os docentes e reações antidemocráticas da esquerda. Mas o que há neste artigo que gerou tanto fuzuê? Basicamente a tese central do professor Claudio Castro é que o fracasso educacional brasileiro não possui relação com o salário dos professores, que segundo ele é alto.

A tese de que o desempenho dos alunos não está relacionado ao salário do professor é besteira. Incorre em triplo erro. Triplo porque todas as pesquisas das áreas de política educacional e trabalho docente confirmam que há relação direta e inquestionável entre o desempenho do aluno e a remuneração de seus professores. Ou seja, alunos expostos a professores bem remunerados tem desempenho melhor do que alunos expostos a professores mau remunerados. Triplo também pois a piora na escola pública brasileira começou justamente quando do arrocho salarial dos professores promovido pela Ditadura Militar. E triplo por fim pois a média salarial dos professores é de apenas 60% do que ganham os outros profissionais com a mesma formação. Só pra lembrar, o Piso Nacional dos professores é de pouco mais de 2 mil reais para um carga horária de 40 horas semanais, o que não chega a 15 reais a hora de trabalho.
Mas porque então o professor Claudio Castro incorre neste erro grosseiro? Por causa de sua posição ideológica a direita que o impede de raciocinar livremente – o mesmo que fazem os que estão a esquerda e criticaram seu artigo.
A direita toda vez que indagada se o principal problema da educação brasileira seria o salário dos professores responde com um não. Argumenta que não há relação e para isso cita o exemplo de cidades como Rio de Janeiro onde a média salarial de um professor com carga horária de 40h semanais é de cerca de 5 mil reais: “_ Estão vendo? A Prefeitura do Rio paga 5 mil reais e o aprendizado dos alunos é ruim”. Até então é isso mesmo. Ganha-se bem mas o resultado não aparece. Porém, há um problema aí que a direita não enxerga, o problema do prestígio social.
Toda vez que falo engenheiro a sociedade tende a acreditar que é um profissional que ganha bem. Já conheci engenheiros que ganham salário mínimo, mas isso nunca passa pela cabeça das pessoas, pois na média nacional ganha-se bem. O mesmo ocorre com os professores, mas de modo inverso. Toda vez que falo professor a sociedade tende a acreditar que é um profissional mal pago. Há os que ganham bem sim, como na Prefeitura do Rio, mas na média nacional ganha-se muito mal. Isso derruba o prestígio da profissão. A profissão engenheiro possui prestígio. O magistério não mais. Então mesmo aquele professor que ganha 5 mil não consegue obter resultados bons pois seus alunos não o respeitam, os pais não o levam a sério, o governo bate nele na rua, etc, pois na cabeça deles ele ganha mal.
Essa explicação é simples e fácil de se entender. Porém a esquerda não consegue entender o porque da necessidade do salário do professor, e aí quando faz a crítica ao artigo do professor Claudio Castro a faz de forma autoritária, sem conseguir argumentar o porque da necessidade de bons salários para que a sociedade entenda e apoie. Ataca-se o professor Claudio apenas por ele ser de direita. Ele não entendeu a questão que envolve o salário do professor, e a esquerda entendeu menos ainda. Mas você agora entendeu.

Licenciado em História pela UFRuralRJ, cursando especialização em Ensino de História pelo Colégio Federal Pedro II. Professor de História da rede pública no Rio de Janeiro. Pesquisa história antiga, especificamente Jesus Histórico, judaísmo, Judeia Romana e Cristianismo Primitivo.
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11 thoughts on “Explicando o que a esquerda e os professores não conseguem explicar sobre a relação entre o salário docente e o desempenho dos alunos

    1. Essa frase se encaixa bem na questão. De todos os profissionais de nível superior, a frase talvez só tenha valor para os professores.

  1. Boa tarde, Hugo.

    Você poderia compartilhar os artigos/links de onde tirou alguns de seus dados?
    Gostaria de ler mais sobre o assunto.

    Abraço!

    1. Sobre o arrocho salarial durante a Ditadura Militar poucos teóricos tem coragem de tocar nesse tema. Cito aqui dois livros do filósofo Paulo Ghiralfelli. Sugiro que você os Leia.

      Filosofia e História da Educação Brasileira pela Manole.

      História da Educação Brasileira pela Cortez.

    2. Parabéns, sinto orgulho de ter sido sua colega de universidade e de ter criado um vínculo de carinho com você. Você está certo sobre esse pensamento em respeito à categoria de professor. Tudo começa com “tia” . Bjs, continue nessa trilha de sucesso.

  2. Ótimo texto. Sou professor, da rede municipal, de cosmópolis sp. Concordo que o salário do professor está aquém, na maioria dos casos muito aquém, no entanto, discordo da afirmação a qual propõe uma ralação: salário- professor = aluno com bom desempenho. Isto pois, a corrente ideológica na educação é vitimista e ultra valoriza o aluno, seja de qualquer tipo (bom ou ruim no comportamento ou dedicação), e menospreza a autoridade e conhecimento do professor.
    O argumento que considero perfeito de seu texto é : o professor não tem prestígio, são olhados como os que não tiveram outra opção. Muito disso por causa desses professores que se dizem marxistas e vão à escola como mendigos, dão aulas como se o discurso fosse mais importante para o aluno, deixando assim o conteúdo, a frequência e o aprender e provar que aprendeu de lado.

    1. Gustavo meu caro, essa relação salário x professor x desempenho do aluno é comprovada em teses e pesquisas. Professores que recebem mais são mais prestigiados pelos alunos, que adquirem mais respeito pelo mesmo, e sendo assim, leem o que o professor manda, fazem as atividades e estudam. Pronto. Aí o resultado vem. Não tem segredo.

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