Fake News (A confiabilidade das notícias na Internet)

Para falarmos de internet e da confiabilidade de notícias na internet, não podemos nos esquecer que a internet em si, é apenas uma extensão de nossas vidas, com pequenas nuances adicionais. Entre elas, uma força imaginária, conquistada através de um anonimato ou “distância virtual”, que nos permite aplicar nossas próprias regras, com um nível elevado de discordância do outro, muito maior do que faríamos fora dela, que pode chegar até a banimento da vida virtual, que é levada com a pregação forte de ideias, a constante reafirmação delas, a escolha e compartilhamento contínuo por temas e notícias de nossa preferência e um grande achismo presenteado pelo Google, onde todos podemos “saber” rapidamente qualquer coisa em questão de alguns cliques apenas.

Uma realidade em que todos tornam-se potenciais especialistas em certos assuntos, mesmo que em muitas vezes nunca tenham lido uma única linha sequer do tema apresentado.

É a aldeia paradisíaca dos autodidatas. Ela (a internet) não é um mundo à parte, é a mesma vida ou ainda, é o mesmo “mundo” em que vivemos fora dela, porém potencializada. Ainda que falemos em um “ambiente virtual”, este pode ser até mesmo “um local virtual”, sim: “local”, literalmente, mas este local continua subordinado a nossa vida e “ao nosso mundo”, ou dentro do nosso mundo e por isso mesmo atualmente já estamos criando, ou pelo menos tentando inclusive, criar leis que gerem barreiras ou limites nela. A internet deve ser encarada como apenas uma ferramenta e não uma ideologia, ou algo metafísico. Ela é mais um meio de comunicação, o mais intrigante deles, claro.  

A grande diferença entre os demais meios de comunicação é o seu conhecido alcance. Qualquer um pode falar qualquer coisa, de qualquer lugar para qualquer lugar a qualquer momento quando quiser, inclusive publicamente. Somente a televisão havia conseguido isso de maneira tão avassaladora, mas mesmo ela não permite tanto poder de comunicação a tantos, tampouco a todo o momento, principalmente falando e fazendo qualquer coisa. Além disso, precisamos também salientar a crescente democratização, o poder de inclusão, popularização e os protagonistas que ela possui ou pode possuir, estes, mudaram muito, pois como se trata de um meio chamado: “alternativo”, possibilita que qualquer pessoa possa ser um consumidor de notícias, mas também um produtor de conteúdo. Todos podem ser criadores de notícias. Isso tudo em um primeiro momento é muito positivo, um avanço, mas não devemos esquecer as consequências que podem ser geradas em decorrência disso.

Uma rede aberta para qualquer pessoa e sem a devida supervisão ou sem a devida revisão especialista ou ainda de uma revisão mínima, possibilita que qualquer informação seja colocada na internet, seja ela mentira ou verdade. Com isso temos várias possibilidades, que desde a invenção da internet nos acostumamos a listar com termos em inglês. As mais famosas são: O hoax (boato), a Fake News (notícia falsa), o Spam (mensagem indesejada), o Troll (um provocador piadista que quer desestabilizar e causar raiva com pegadinhas com suas trollagens), o Hater (odiador, que na verdade, está mais para um difamador ou “negativador” de internet e não um odiar no sentido real), o Flame Bait (isca flamejante), o Click Bait (isca de cliques), entre tantas outras de antes da internet como: o sensacionalismo, opiniões e manchetes tendenciosas, factóides, fofocas, dados ou informações importantes erradas ou faltantes em matérias ou notícias e até a tão famosa teoria de conspiração. Há opções para todos os gostos e públicos. Conteúdo é o que não falta quando se trata de verdades alternativas, meias verdades ou pós-verdades. Então fake news é a pós verdade? Não! Nem tão rápido.  

Obviamente que isso tudo não poderia ser disseminado tão facilmente em outro lugar como em um lugar específico na internet, que são as Redes Sociais e aqui especificando mais ainda, na maior e mais em voga delas ou pelo menos mais popular e badalada, o Facebook. Evidente que é lá o celeiro da pós-verdade, onde temos a verdade servida em vários sabores, é um cardápio muito variado, desde os “clássicos” até as iguarias mais raras.

Imagine um lugar onde notícias verdadeiras são confrontadas, combatidas e fazem concorrência direta com boatos e notícias falsas. O pior é a grande confusão causada com cada termo que significa algo diferente. Tudo vira a mesma coisa. Temos a notícia de um prédio que desabou em SP e temos o hoax de que a Pepsi está fazendo refrigerantes com adoçantes feitos de fetos abortados, temos a teoria de conspiração de que a Terra é plana, que o nazismo foi de esquerda e temos o jornal sátiro: O Sensacionalista, tudo isso no mesmo local. Muitas vezes se confunde fake news, hoax, com piada, pegadinha ou mesmo com opiniões.

Ou seja, está muito difícil hoje saber o que é a verdade, pois ela é uma exceção. Se a inclusão digital alcançada é por um lado um feito grandioso, por outro pode gerar alguns problemas como estes, que precisamos pensar em como resolver ou tentar minimizar, se é que isso é possível. O Facebook por exemplo, vem tentando desenvolver diversas ferramentas para denunciar a fake news e até o momento não conseguiu nada de muito produtivo, não é fácil desmentir. Outros sites também tentam, fazem o possível, mas o resultado geral é bem insatisfatório por maior e melhor que seja o esforço. Por outro lado, todos dias nasce um novo blog, um novo site, uma nova página de Facebook, produtora de conteúdo de fake news. Existem até divulgadores e investidores disso.

E como lidar com isso? É difícil. Diversos críticos têm se manifestado sobre o que a internet e as redes sociais vem se tornando. Umberto Eco por exemplo, disse que “a internet deu voz a uma legião de imbecis”. Bauman fala em relações líquidas, muitos outros “críticos”, reclamam do “ódio nas redes sociais”, da polarização, ou mesmo do “discurso de ódio”.

A grande questão é que além da confusão de termos e de mentiras e verdades, a maioria das críticas estão erradas, equivocadas, levemente desfocadas, para falar o mínimo. A complexidade do funcionamento da internet e das redes sociais, pode ser entendido através de um caminho que não deixa de ser o de um jogo. Cada um quer se expressar de um jeito em um local onde a liberdade é “plena”. E os movimentos deste jogo são criados a partir de outros. Não existem leis específicas o suficiente para coibir o mentiroso na internet. E ainda que existissem, a lei não acaba com a mentira ou com o que é falso, principalmente porque ele possui um sabor diferente e ousado que a verdade não possui, uma espécie de autoengano. É algo como a produção de uma autoilusão. Vai muito além de um viés cognitivo. Uma capa de proteção. Talvez uma ficção onde o autor de fato queria estar inserido e como aquilo não existe na realidade, é criada uma suposta realidade, que pode possuir diferentes intenções, mas geralmente o mesmo modus operandis          

Até aqui, nada de novo, como disse, desde a invenção da internet isso é feito e muito antes dela, já havia espaço para tal, sabemos bem. Se nos arriscarmos despretensiosamente, talvez possamos dizer que ela está aí desde a criação do mundo. Não precisaríamos ir tão longe, mas a fake news de hoje, é a boa e velha fofoca de ontem. Não vamos pensar como se dá, mas sim por que as pessoas compartilham isso. Curiosidade? Manipulação? Ignorância? Não é o status de segredo e mistério revelado que se acompanha a fake news? O revelador é sempre alguém que conta algo que ninguém sabe ou que é escondido.

O bordão da fake news é dizer: “Isso ninguém mostra“.Sim, pois a fake news não é um produto da grande mídia tradicional, de grandes veículos de informação, mas sim do jornalismo marrom ou do amadorismo de um jornal com pretensões únicas. Ainda que a mídia tradicional possa ser algumas vezes vítima e até mesmo reproduzir uma notícia falsa, ela possui mecanismos de edição, revisão e retratação constante, diferentemente de mídias alternativas ou da fábrica de Fake News, que nem se desculpam, nem propõem erratas. São informações movidas por sentimentos de fabricação de verdades mesmo. Quando a possível informação toca a nossa sensibilidade, a necessidade ou um desejo oculto de alguém, o autor revela o seu segredo mágico que somente ele sabe e detona o seu poder explosivo em algum momento propício.   

O que nos caberia fazer diante disso? 

 

Fábio Fleck – 26/06/2018

 

Referências:

Notícia Falsa: www.bbc.com/portuguese/topics/e7539dc8-5cfb-413a-b4fe-0ad77bc665aa

O que é a verdade? http://ghiraldelli.pro.br/filosofia/o-que-e-a-verdade.html

Por que o Fake News Funciona? http://ghiraldelli.pro.br/midia/por-que-o-fake-news-funciona.html

O que é Fake News: https://www.infoescola.com/sociedade/fake-news/

Músico multi-instrumentista e Especialista em Tecnologia da Informação.

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