Não fique nu. Fique nude.

Quando estou à meia distância, saio rápido da frente do espelho do banheiro. Vi o clipe da Clarisse Falcão. Depois fui me ver. Aquilo é o que a vida me deu. Mas posso melhorar alguma coisa. Não a coisa principal que o espelho mostra. Na frente do espelho digo que é o principal. “Deitado com alguém, aí eu mando bem.” “Na hora ele (me) surpreende.” Ele foi o que restou, como a Clarice cantou. Não dá pra desatarrachar.
 
O clipe é o espelho do banheiro, mas dele você não sai da frente. Agora estou com um monte de paus, ou curtos ou finos, na cabeça. Não tinha nenhum comprido e grosso. No xvídeos você tem. No clipe do Bruno Mars também. O clipe da Clarice não foi show nenhum. Foi comum, sendo diferente dos outros clipes. O comum que não se mostra.
 
A repetição de shows é um tédio que não se percebe, porque a atenção se prende ao presente. Então vem um clipe com show do tédio. “Veja como a vida é indigna de expectativas.” “Não há com o que se entusiasmar, exceto com a purpurina que vai ficar grudada e coçando, embaixo da glande.”
 
Nada disso! Vou continuar vendo o xvídeos, para imaginar a mulher da rua e a mim mesmo. E eu farei minha mágica acontecer. E vou novamente me surpreender.
 
Cada um tem o que surpreenderia a ele mesmo. Tomara que tenha, e não seja um “Especial Roberto Carlos.”
Clarice está cansada da vida. Talvez porque ela se sinta sozinha, entrando show, saindo show, entrando namorado, saindo namorado. E se na música do Divinyls, a moça esteja falando dela mesma? “You are the sun that make me shine. When i fell down, i want you above me. I wanna make you mine.” (https://www.youtube.com/watch?v=wv-34w8kGPM)
Mandar nudes é uma forma de expressão. A verdade é posada. Então vou curtir meu nude. Ser de mim mesmo.
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