Jesus não gostou do que viu!

Jesus era um belo jovem, inteligente, nascido na insignificante aldeia de Nazaré, num período em que o Império Romano não ia bem das pernas e se encaminhava para o precipício. Seus pais, Maria e José, eram pessoas humildes. Seguindo as tradições de sua época, e de sua religião, o judaísmo, Jesus foi educado pelo seu pai e provavelmente adquiriu seus conhecimentos manuais. A maioria dos pesquisadores afirma que assim como José, Jesus se tornou um carpinteiro. Porém, há aqueles que defendem que Jesus pode ter sido um carpinteiro, como pode ter sido marceneiro, pedreiro, etc.

Sua infância tranquila, aos moldes da antiguidade. Os historiadores do Jesus Histórico tendem a afirmar que a afirmar que as narrativas dos Evangelhos sobre o nascimento e a infância de Jesus, até os seus 12 anos de idade, não passam de construções posteriores para justificarem sua “divindade”. O fato é que seu ministério começou efetivamente por volta de seus 30 anos, durante pouco mais de 2 anos até sua morte.

Nazaré era uma aldeia satélite da cidade de Séforis, capital da Galileia. Fica a exatamente 7 km de distância. Durante vários anos, usufruiu economicamente de sua proximidade com a capital, muito movimentada e com comércio abundante. Contudo, esse privilégio chegou ao fim. Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande, resolveu construir uma nova capital para a Galileia em homenagem ao Imperador Romano Tibério. Foi aí que nasceu a cidade de Tiberíades, as margens do lago batizado com seu nome. Toda a estrutura administrativa, bem como o comércio, se deslocou de Séforis para Tiberíades. Dessa forma, Nazaré se tornou uma aldeia as minguas, o que deve ter levado ao seu desaparecimento.

Essa explicação acima é para muitos o grande motivo que proporcionou o movimento de Jesus. Isso porque com o declínio de Séforis, Jesus foi obrigado a sair de sua aldeia e ir rumo a outras cidades que pudessem lhe oferecer trabalho para o seu sustento. Foi nessa jornada, já aos 30 anos, que Jesus encontrou no Rio Jordão seu preceptor, João Batista. Impressionado com a pregação deste, rapidamente se batizou e tornou-se um seguidor. Mas com a morte de seu mestre, que teve a cabeça posta em uma bandeja, acabou por fugir junto dos outros seguidores de João. Mas, por algum motivo voltou.

A grande diferença do ministério de Jesus para o de seu mestre, João Batista, foi uma guinada radical: o amor. João Batista pregava que o reino de Deus estava por vir, e que era necessário o batismo para conversão dos pecadores. Jesus iniciou seu ministério de outra forma, afirmando que o reino de Deus não estava para vir, mas que ele já acontecia. O reino estaria no meio de todos, bastava que percebessem isso. Não à toa a oração da Igreja diz: “O Senhor esteja convosco.” E todos os fiéis respondem: ”Ele está no meio de nós”. Jesus passou então a ensinar que o reino de seu pai já se fazia presente entre as pessoas, e que bastava que abrissem seus corações e aceitassem isso. Mas, para que isso fosse feito, havia um segredo: o amor. O amor era o segredo de tudo.

Jesus fez uma revolução – e foi revolucionário! – não pelos argumentos de marxistas que fazem uma leitura torta do mesmo, mas sim porque ele inovou ao colocar na jogada uma nova lei, a lei do amor. Não responda com uma pedrada – algo comum na antiguidade – mas sim com a outra face para baterem. Estando ele onde disse que estaria, a direita de seu pai, com certeza estará decepcionado com tudo que viu nesses dois mil anos, e com tudo que vê atualmente. Era para a vida dos cristãos ser pautada por amor. É claro que seguir a risca essa lei é uma tarefa impossível, e como bem disse Nietzsche, Jesus foi o único cristão. Mas as pessoas também não precisava destilar todo tipo de ódio.

A reação a morte dos policiais deixa claro o quanto Jesus deve estar triste, e o quanto as pessoas não entenderam seu verdade ensinamento, a lei do amor. O Papa Francisco entendeu bem isso, e sabe que quando Jesus disse para amar a todos, era todos mesmo, literalmente, incluindo gays e ladrões. Mas os cristãos preferem pregar a máxima “bandido bom é bandido morto” e destilar todo o ódio contra a população da favela Cidade de Deus após a morte dos 4 Policiais Militares que foram abatidos no helicóptero. Nietzsche tinha razão, “Deus está morto”.

Licenciado em História pela UFRuralRJ, cursando especialização em Ensino de História pelo Colégio Federal Pedro II. Professor de História da rede pública no Rio de Janeiro. Pesquisa história antiga, especificamente Jesus Histórico, judaísmo, Judeia Romana e Cristianismo Primitivo.
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4 thoughts on “Jesus não gostou do que viu!

  1. Bom texto.Mas não entendi a citação da morte de Deus neste contexto, embora me pareça ser a seguinte: Deus está morto porque morto está o amor.

    1. A Santíssima Trindade é Pai, Filho e Espírito Santo, os três em um. Dessa forma Jesus também é Deus, e uma vez morto, sua lei do amor se acabou. Não restou ninguém para defendê-la, afinal, Nietzsche afirmou que Jesus foi o único cristão do mundo.

      1. Ele morreu, mas ressuscitou ao terceiro dia, num corpo glorificado, que atravessava paredes e portas. Somos seres espirituais, dotados de alma e habitamos num corpo corruptível, mas, tal qual Ele, um dia receberemos um novo corpo, incorruptível, e, assim como Ele, diremos: onde está, oh! Morte, os seus aguilhões?

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