Moro não pode julgar

 Está certo de que Moro não pode mais exercer o juízo. Se as nossas instituições são sérias, então Moro deve ser impossibilitado de ser juíz novamente. Não só porque cometeu um crime claro no julgamento do presidente Lula, mas principalmente porque demonstra um pleno desconhecimento de sua própria profissão. 

 Quando o mesmo declarou, como fato nítido e óbvio, que as declarações de Jair Bolsonaro não feriam os Direitos Humanos, esta foi sua primeira demonstração de incapacidade para o juízo. Ou é possível existir juízes que declamam o slogan “Direitos Humanos para humanos direitos”? Isso não seria um contrassenso com sua própria profissão? Não seria similar ao caso de um engenheiro que vê como falsa a mecânica newtoniana? Ou um médico que não crê que cigarro seja prejudicial à saúde? Não se trata da mesma coisa? 

 O fato que fecha a trama é o vazamento feito pela Intercept. Ou melhor, a própria reação do Moro aos vazamentos. Moro não vê nenhuma irregularidade, termo que ele gosta de usar para crimes cometidos por pessoas brancas, nas conversas divulgadas. Não há  irregularidade mesmo, há crime. Moro demonstrou que estava comprometido com a acusação do presidente Lula antes mesmo da apresentação das provas, e aliás, provas estas que a própria acusação achava fracas. Mas Moro não se deixa abater pelas breves vacilações do Dallagnol. Não! Quando se trata dessa condenação, nada pode ferir a obstinação de Moro. Nada abala sua inclinação. Agora, o que me resta perguntar é: Moro sabe o que faz um juíz?

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