Não há mais glamour na Cidade Maravilhosa!

Pensar no Brasil sem pensar no Rio de Janeiro é impossível. Nenhum lugar teve mais participação na história do nosso país do que essa cidade. Da França Antártica a Cidade Maravilhosa. Da chegada da Família Real portuguesa a saída da capital para Brasília. Do samba e do carnaval, do funk e do futebol. Do maracanã e do Cristo Redentor. Da Bella Époque carioca. Da Garota de Ipanema. O Réveillon de Copacabana. Do golpe de 1964. Da Revolta da Vacina… da Chibata… da chacina da Candelária. Do Rio da restauração da zona portuária. Da Cidade Olímpica. O que pensar desse Rio de Janeiro?
Abençoado pela beleza… pela monarquia… pela política… pela natureza… pela alegria… pela República… pelo futebol… pelo petróleo… pelo turismo… Ah, o Rio de Janeiro, como tinha tudo para dar certo, para ser aquilo que Walt Disney vislumbrou quando abençoou essa cidade com o Zé Carioca. Como a história deu tantos trunfos ao Rio, e tantas chances de se redimir consigo mesmo. Os Jogos Pan-americanos de 2007, depois a Copa do Mundo de 2014, e por fim as Olimpíadas de 2016. Nenhuma outra cidade no mundo teve essa sequência de grandes eventos. Ah, mas o Rio… o Rio já não tinha mais glamour…
A atitude imatura de Juscelino Kubistchek de levar a Capital da república para o meio do cerrado brasileiro feriu o Rio na alma. Uma cicatriz que jamais se apagaria em toda história. Um lugar que viu de perto o desenrolar da história desse país, foi jogado a escanteio. Restou ao Rio a amargura de perder seu protagonismo, e a tarefa de juntar os cacos. O tráfico pois o feliz papagaio para correr, junto do malandro, e subiu os morros para nunca mais sair. As favelas cobriram o solo da terra prometida para esse povo da América do Sul.
Nas últimas 24 horas o Rio viu dois de seus ex-governadores serem presos acusados de inúmeros crimes. Outro fato inédito na história brasileira. Como sempre, o Rio é protagonista… mas nem sempre a cena é positiva! Esse Rio está imerso nos escândalos de corrupção que envolvem a Petrobrás e a Lava Jato. É o mesmo Rio que está falido, sem dinheiro para pagar seus servidores, com hospitais fechados, e a violência batendo recorde atrás de recorde. Na prática o Rio já é um Estado falido, só ainda não formalizou isso. Dificilmente sairá do buraco sem ajuda da União, seu pai rico. O protagonismo do Rio na história nacional não garantiu que seu glamour fosse duradouro. Na verdade, durou foi muito pouco. Adeus Rio!

Licenciado em História pela UFRuralRJ e Especialista em Ensino de História pelo Colégio Federal Pedro II. Professor de História da rede pública no Rio de Janeiro. Pesquisa história antiga, especificamente Jesus Histórico, judaísmo, Judeia Romana e Cristianismo Primitivo.
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