Nietzsche e a morte de Deus ou da religião?

Muito se diz a respeito da afirmação feita por Nietzsche de que “Deus está morto e fomos nós quem o matamos”, e até mesmo se atribui o ateísmo a ele por isso. Mas esta frase, diferente do que muito se interpreta, não diz se o filósofo é ou não ateu, o que ela faz é uma análise da sociedade moderna, sociedade esta que passou a ter um novo “deus” que não mais a religião.

Nietzsche poderia ser ateu, mas está nessa famosa passagem de sua obra, como em outras sobre Deus, justamente refletindo sobre a sociedade e os indivíduos. Nietzsche vê uma sociedade que passa a ter um novo ídolo. Nesse momento da história o ídolo “Deus” está sendo destruído por seus próprios devotos.  Ele está sendo substituído por um novo ídolo.

Os homens têm como ídolos ideias que representam algo que vai melhorar suas vidas. Há sempre a esperança de uma vida melhor e lutam por isso nem mesmo que seja anulando a vida presente. Mas Deus não anularia a vida presente, pelo contrário, a mensagem bíblica é para uma vida abundante ainda na terra. Nisto é que se percebe que o que se chega a termo não é Deus, mas a religião. A religião é um conjunto de regras, em grande maioria criadas pelos homens, que determinam a vida em certo e errado e cria uma moral para alcançar o lar eterno.  Esta sim foi morta pelos homens. Pois estes agora começavam a ter suas esperanças em outros ídolos e seguir outra moral.

Portanto, o “Deus” a que se refere Nietzsche seria na verdade uma religião e não o ser supremo Criador, pois este, para os que ainda creem é o Princípio e o Fim, mas para os que seguiam apenas um conjunto de regras morais para o alcance da vida eterna realmente tiveram seu “Deus” morto.

Graduanda em Administração – PUC Minas .
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6 thoughts on “Nietzsche e a morte de Deus ou da religião?

  1. Um aparte,
    É muito interessante essa questão de quem é propriamente ateu ou não. Dizem os biógrafos que pediram para Marx fazer uma história da religião. Ele negou, disse que Feuerbach já havia escrito tudo que era necessário.
    Pensando nisso, podemos concluir que apesar dele subscrever o ateísmo militante de Feuerbach, Marx não é propriamente um ateu. Acho que isto também se adéqua ao Nietzsche.
    Seria legal procurar o que fez com que o Bruno Bauer (hegeliano próximo de Marx) se interessasse pelo Nietzsche. Talvez o Paulo saia mais sobre isso,

  2. Javé disse muitas vezes, no Antigo Testamento, que os homens se perdiam ao desobedecê-lo. Isto é, esquecendo-se dos feitos de Javé, no passado, e do projeto dele para seu povo, Israel vivia ao sabor do seus interesses no momento e recriava uma situação de não-liberdade. Então Javé ameaçava, continuava sem ser obedecido, via sua criação se foder e então a ajudava. E repetia isso inúmeras vezes.
    A frase de Nietzsche, no sentido que você apresentou, Júlia, disse que aquele que nos promete algo, exige obediência, é desobedecido, ameaça-nos, vê-nos nos fodermos e nos ajuda, não é mais Javé. Se virmos bem, essa sequencia de atos descreve bem nossa relação com a razão.

  3. no hebraico não existe a palavra DEUS, CRIADOR ETERNIDADE, SATANAS ,ANJOS, como sabemos desses personagens, graças a invasão grega de aLExandre , pegou historias locais sumerias e egipicias , sirias e criaram uma ODISSEA local , eles eram bons em filosofia, e conquistaram essas novas terras, com a invasão romana , teve o acabamento graças ao senhor são jeronimo,e sua caneta criou-se o deus , deus de constantino, ex quando abraão (turco) esta negociando com os juises, ELE PEDE ETERRAS COMIDA GADO,CARNEIOROS E SEMEMTES, apos um ano de trabalho e administrando o que ganhou ele se compromete a pagar 10%(dizimo) os gregos adaptaram para deuses, e são jeronimo adaptou para DEUS, criou o deus que conhecemos hoje

    1. O Deus a que se refere o texto é o bíblico, o mesmo a quem Nietzsche se referia. Ele existe antes do mundo grego e romano. Constantino criou as ideias da Igreja Católica.

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