No presente

“Não hexamos (ainda)”. Ouço jovens dizendo isso.

Há quem afirme que, no passado, ele mesmo era alguém ou algo melhor. E há quem afirme que hoje ele mesmo se encontre no seu melhor, e que amanhã ele estará melhor ainda. Esta segunda posição é coerente com o ser jovem. O jovem considera que há quatro anos atrás ele não tinha a consciência de si mesmo e das coisas. Por isso ele não aproveitava tanto a vida como o faz hoje. Ele “pentou” em 2002, mas isso não conta.

O intervalo entre a ocorrência de uma Copa do Mundo e outra é o bastante para que uma pessoa se sinta diferente. A pessoa se sente realmente melhor do que era, então merecedora de um prêmio. De ano em ano, o prêmio para a sua escola de samba já é o bastante para a mudança que cabe nesse período.

Esse amor-próprio no presente reúne a biografia inteira da pessoa. Youtubers são a versão atual daqueles falantes com quem se dividia uma fila de banco ou um banco de ônibus de viagens longas: a vida inteira está na ponta da língua molhada no presente. Facilmente contam dores e sabores, fatos e certas elaborações.

O problema infantil foi enfrentado, ou a curtição infantil diz que ali está um ser sempre pronto para se divertir. “Prepare-se!”, diz a força jovem que sobrepuja os que pararam de se mover. Deixar de ser jovem é dizer que se é só isso, que se acabou. Através do esporte busca-se sempre novas vitórias. A atual certamente é melhor do que a anterior.

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