Nosso fracasso educacional de cada dia

 

Assistimos hoje, mais uma vez, em pleno Jornal Nacional, William Bonner anunciar mais uma vez resultados pífios da educação brasileira. O Censo Escolar de 2017 mostrou aquilo que já estamos cansados de saber: escolas sucateados, falta de professores, e baixos salários. Tudo isso é nos dito a mais de trinta anos, às vezes semanalmente, mas nossa sociedade parece anestesiada, pois não reage. Permanecemos inertes diante do fracasso educacional brasileiro que se repete a cada dia, com um ponteiro de relógio, que gira, gira, gira, mas permanece no mesmo lugar.

A reportagem do Jornal Nacional, por melhor que tenha sido, e apesar do empenho gigantesco por parte dos jornalistas e produtores, não encanta mais ninguém. As notícias sobre educação já não movimentam mais nossa sociedade, isso tanto em termos sociais quanto políticos. A educação deixou de ser um valor nacional, a ponto de um slogan do Governo Federal – Pátria Educadora – ter naufragado antes mesmo das primeiras grandes ondas. Os discursos sobre educação se tornaram vagos, genéricos, e demagógicos.

Nesse ano eleitoral nossos ouvidos ficarão mais uma vez calejados de tanto ouvir político dizendo que a educação é prioridade. Mas isso da boca pra fora. Em seus programas de governo o máximo que haverá será uma menção genérica a “melhoria da qualidade da educação”. Um candidato ou outro fará aquela defesa besta do ensino técnico, ensino esse que até mesmo os militares abandonaram depois da cagada de 71. Mas prioridade mesmo a educação não terá em nenhum programa de governo. Isso porque, no português claro, educação não dá mais voto no Brasil. Já se foi esse tempo.

Falar então naquilo que realmente importa, ou seja, na recuperação salarial do professorado de forma a colocar o magistério novamente no rol das profissões de nível superior que proporcionam a seus ocupantes uma vida de classe média, isso nem pensar. Vamos continuar a ignorar os baixos salários dos professores, que acabam atraindo uma mão de obra fraca para a profissão, e deixando, em geral, os piores nela. Lógico, pois os melhores sairão com o tempo. Essa é a verdade que os sindicatos escondem, os professores desconversam, os pesquisadores ignoram, e o governo finge que não vê. O Brasil continuará remando contra a maré, e nós continuaremos ano após ano a assistir reportagens do Jornal Nacional sobre o nosso fracasso educacional. Afim, ele virou nossa rotina diária.

Licenciado em História pela UFRuralRJ e Especialista em Ensino de História pelo Colégio Federal Pedro II. Professor de História da rede pública no Rio de Janeiro. Pesquisa história antiga, especificamente Jesus Histórico, judaísmo, Judeia Romana e Cristianismo Primitivo.

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