Novos Prefeitos. Novas Promessas. Mas o salário do professor… nunca muda!

Assistimos no último domingo o dia mais bizarro do ano: a posse dos novos Prefeitos. Quem gosta de ouvir conversas pra boi dormir, basta assistir as cerimônias de posse. O filme se repete como nunca, e o raio misteriosamente cai sobre o mesmo lugar. Ouvimos discursos lindos e maravilhosos, de encherem nosso pulmões de ar, e de nos darem esperança, e até arrancarem lágrimas de alguns. Mas daqui a quatro anos percebemos que novamente fomos enganados, e que tudo era mentira. As promessas não passarão de promessas. Ficarão nisso mesmo, como ficaram nos últimos quatro anos.

No meio de tantas promessas uma se destaca. É a mais citada, e também a menos cumprida. Refere-se a educação como prioridade, e mais especificamente, a tão sonhada “valorização do magistério”. Não há um Prefeito empossado que não tenha citado isso como meta de seu governo, dizendo, mais uma vez, que a “educação será prioridade”, pois “só a educação muda o mundo”, e que “a educação é o caminho da transformação social”. Ah!!!!, como estamos cansados de ouvir. Mas afinal, porque o salário do professor nunca melhora?

Há várias teorias que podem explicar esse fato. A esquerda gosta da teoria marxista que diz que a educação não é prioridade pois os governos não querem um povo culto e educado, pois este povo derrubaria o governo. A direita prefere dizer que o professor não ganha bem pois é mal qualificado, não merecendo receber mais pelo seu trabalho. Particularmente, não comungo com nenhuma dessas explicações, pois estão mais carregadas de ideologia do que de empiria. Há também uma explicação do Filósofo Paulo Ghiraldelli Junior que vai por uma via freudiana ao dizer que o professor é aquele que presencia os momentos mais íntimos e delicados da criança, e esta quando adulto decide por descontar no professor por ter tido acesso a essa intimidade. Eu mesmo possuo uma tese de que o magistério no Brasil não é mais visto como profissão, e sim como sacerdócio, ficando dessa forma longe das prioridades dos governantes. Contudo, prefiro falar com vocês sobre uma tese também do Filósofo Paulo Ghiraldelli da qual comungo. É a tese do ônus político.

Ultimamente tenho me especializado na área de Gestão Educacional, como ênfase no Controle Social dos recursos públicos. A tese do ônus político diz basicamente o seguinte: a valorização do magistério não acontece pois levaria muito tempo para surtir efeitos, sendo que o político que a iniciasse não veria resultados em seus mandatos, preferindo então deixar essas questão de lado. No senso comum seria o seguinte: o Prefeito não paga bem o professor porque não dá voto. Não é bem isso, mas pode ser isso. Eu explico melhor.

Neste século deixamos de ser uma nação pobre. Estamos entre as 10 maiores economias do mundo, e temos uma das maiores cargas tributárias. Recursos públicos não faltam, pois o leão é eficiente ao abocanhar os impostos. Faltam na verdade prioridades. O salário do professor é baixo não por falta de recursos, mas sim por não ser prioridade para os governos. Para ser prioridade é necessário um ajuste nacional nas finanças federais visto que Estados e municípios não possuem esses recursos. Seria necessário que o Governo Federal fizesse o ajuste e destinasse recursos ao pagamento dos professores. Isso levaria no mínimo 10 anos para acontecer.

Em 10 anos teríamos bons salários para o magistério, e aí sim a profissão voltaria a atrair as melhoras cabeças do ensino médio. Seriam mais 10 anos até formarmos uma nova geração de professores já pautada pelos bons salários. Essa nova geração de professores levaria mais uns 10 anos para apresentar resultados efetivamente satisfatório, ou seja, formar uma nova geração de brasileiros do zero. Diante disso tudo, os resultados levariam no mínimo 30 anos para aparecerem. Num mandato de quatro anos, podendo se reeleger e ficar mais quatro, nenhum político verá os resultados do investimento no salário do professor. Isso é fato. Trinta anos é muito tempo na política. Qualquer bom especialista sabe disso. Contudo, o problema é que ninguém dá o pontapé inicial e começa a investir no magistério, e dessa forma vamos empurrando o saco com a barriga a quase cinco décadas. Os políticos se acostumaram a mentir dizendo que a educação será prioridade, e a sociedade se acostumou a ser enganada por esse spolíticos.

Licenciado em História pela UFRuralRJ e Especialista em Ensino de História pelo Colégio Federal Pedro II. Professor de História da rede pública no Rio de Janeiro. Pesquisa história antiga, especificamente Jesus Histórico, judaísmo, Judeia Romana e Cristianismo Primitivo.
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One thought on “Novos Prefeitos. Novas Promessas. Mas o salário do professor… nunca muda!

  1. Todos saem perdendo com a falta de prioridade para a Educação. Não há mais atração para o magistério e as poucas faculdades de formação de professores estão fechando seus cursos.
    A grade curricular está sendo enxugada. Duas aulas semanais de uma disciplina (quando há professor efetivo) não bastam. O curso que mais sofre é o Normal que forma professores despreparados em leituras do E,M.Encher a pança do jovem com macarrão com salsicha todo dia e exigir festa de colação de grau continuam sendo uma ilusão “comprada” por esses alunos.Dá pena de ver. Nunca fui a uma formatura deles.Nunca fui convidada também, felizmente.

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