O artista está nu

Em “Da Leveza: rumo a uma civilização sem peso”, Gilles Lipovetsky diz que as obras de arte não mais pretendem seguir uma tradição ou romper uma estética anterior. Expressar a verdade ou alguma verdade não é do interesse do artista pós Warhol, artista de mercado. A arte não tem mais mensagem, quando é a busca pelo frívolo e sempre-novo, da moda, que rege o museu.

A obra de arte circula no mercado de efêmeros produtos, da moda. Lipovetsky chega a dizer que o melhor para ela é assumir-se como oferta de experiências sensoriais, pois a arte-mensagem tem produzido muita coisa entediante e desestetizada. Diga a verdade: as obras mais chatas que você viu nos últimos tempos tinham uma intenção panfletária.

A recente encenação da obra “O Bicho”, de Lygia Clark, que apresentou a questão de se há algum “dentro”, quando tudo é aparência, show (e, consequentemente, de se há algum “fora”, se faz sentido a palavra “aparência”. O filósofo Paulo Ghiraldelli fez essa leitura: http://ghiraldelli.pro.br/arte/o-que-e-bicho-de-lygia-clark.html), ganhou os olhares do público de massa. Este público quer o museu como mais um espaço de consumo do rápido. Como pode um honem nu, justamente no lugar da moda?

A proposta de se pensar que metafísica nos resta, hoje, não pode ser aproveitada por aqueles que, de tão imersos nela, não conseguem tomar uma distância critica.

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