O bem-estar animal

Nos mamíferos o homem encontra razão lógica, sensação de dor e ansiedade diante uma dor iminente, medo de morrer e sentimentos. O homem ainda titubeia em ver além do cachorro e do gato a ideia e o sentimento de si (identidade e egoísmo). Esses achados começaram com projeções dos próprios homens, mas depois se sucederam pesquisas e agora se concebe que eles tenham ideias, razões, emoções e sentimentos próprios.

Baseado nisto, passa-se a ver como imoral (a imoralidade do especismo) a morte de mamíferos, mesmo para alimentação humana. Os outros animais, contudo, não estão fora da consideração humana: a preocupação não exatamente com a razão e a emoção, mas com o bem-estar, faz com que se mude o tratamento para com os mamíferos mas, também, com outros animais. Peixes ficam muito sozinhos. Periquitos param de cantar. A formiga rala, enquanto a cigarra só curte. Ou os pulgões gozam, no formigueiro.

O bem-estar é mais abrangente do que as outras categorias. Sem dúvida, ela é uma projeção dos homens. A preocupação antropológica com a razão, as ideias e as emoções dos animais, ou melhor, a consideração de que eles são importantes, tem, é preciso admitir, um fundamento na ideia de que ao mundo faltam recursos: as empresas mostram o trabalho das formigas, para cutucar seus funcionários; o homem se desestressa andando em um cavalo ou ordenhando (“humanisticamente”) uma vaca; etc. A capacidade da natureza de se reorganizar é louvada do ponto de vista de uma “salvação da Terra”.

O mal-estar na civilização é a incompatibilidade entre prazer e vida. O bem-estar começou como uma compensação para essa miséria. Mas o homem não é mais o da carência, e sim o do excesso. O bem-estar é um gozo leve, diante de um oceano de possibilidades (obrigações!). O bem-estar para os animais é uma extensão dessa generosidade.

O gato tem que ser bem lânguido, um ultra-gato. Assim como nós, os animais devem ocupar-se constantemente em serem eles mesmos. Bem, por enquanto o problema deles é o suplício, né? Por enquanto.

É por ter um ego que o homem se importa com os animais.

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