O Brasil é a platéia de Trump

Os americanos ficaram chocados com a declaração dada ontem pelo candidato republicano a presidência dos EUA, Donald Trump, durante o último debate da campanha realizado em Las Vegas. O mediador do debate não acreditava no que estava ouvindo. Se mostrou perplexo. Ao ser questionado se aceitaria uma possível derrota nas eleições, Trump respondeu que não. Até Hillary arregalou os olhos diante da resposta do seu adversário. O mediador até tentou… mas Trump se manteve firme em sua resposta. Foi o sepultamento velado de suas chances de ser presidente.

Os EUA são sem questionamentos o país da liberdade e da democracia. Não à toa os franceses os presentearam no final do séc. XIX com um monumento que se tornaria símbolo do país: a estátua da liberdade. Numa nação onde as eleições presidenciais sempre foram disputadas por apenas dois candidatos devido ao domínio do bipartidarismo, reconhecer a derrota do  oponente é o sinal da continuidade da democracia após as eleições. Já é tradição no país após a proclamação dos resultados o oponente derrotado reconhecer seu fracasso. Trump pode quebrar a tradição, mas não quebrará a democracia americana.

Nós brasileiros – ao menos a grande maioria – estamos distantes de entendermos o significado desse gesto. Nossa história é muito mais a do “coronelismo, enxada e voto” do jurista brasileiro Victor Nunes Leal (1914-1985), do que da democracia em si. Temos 516 anos de história, mas apenas 51 de democracia. Nossos dois únicos períodos democráticos são o de 1945 a 1964, e de 1985 até hoje. Nossa democracia representa apenas 10% de nossa história. Estamos longe dos americanos, franceses, ingleses, etc.

Talvez por isso muito batam palmas para pessoas como Trump. Talvez por isso sejamos um país que lida de forma autoritária com a imprensa, sendo necessário a cada dia reforçarmos a defesa pela liberdade de expressão e informação de jornais, revistas, etc. Somos um país onde tanto esquerda quando direita ainda não superaram os escritos da Escola de Frankfurt do meio do século XX, continuando a defender que a mídia é golpista. São pessoas que quando o Jornal Nacional não falam aquilo que elas querem ouvir, disparam contra Bonner. São pessoas que gritam “juiz, ladrão…” toda vez que seu time perde.

È um verdadeiro complexo de derrotado, típico daquilo que começamos a ver aparecer em Trump após sentir que Hillary será a primeira mulher da história a ser presidente dos EUA. Presidente, viu. Não presidenta. Lá a escola ainda funciona!

Licenciado em História pela UFRuralRJ e Especialista em Ensino de História pelo Colégio Federal Pedro II. Professor de História da rede pública no Rio de Janeiro. Pesquisa história antiga, especificamente Jesus Histórico, judaísmo, Judeia Romana e Cristianismo Primitivo.

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2 thoughts on “O Brasil é a platéia de Trump

  1. Os EUA têm tradições voltadas à democracia. Aquele hábito de invocar emendas é uma delas. Tradições são assim, hábitos e costumes. Quanto a nós, gostamos de nos socializar, mas nem tanto de conversar. O que fazemos mais é falar e querer que o outro abaixe a orelha.

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