O exército não matou ninguém: quem matou foi Bolsonaro!

Pela segunda vez na vida Bolsonaro acertou em alguma coisa. A primeira foi quando disse que não nasceu para ser Presidente. E a segunda foi hoje, ao se dizer o verdadeiro assassino do músico no Rio.

Incitado por jornalistas a agir como um Presidente, Bolsonaro finalmente se pronunciou sobre o fuzilamento do negro (para variar!) pelo exército. Assim, como não poderia deixar de ser, saiu pela tangente recorrendo ao pensamento mágico.

“O exército não matou ninguém, pô. O exército é do povo e o povo não é assassino”. Só faltou completar com “agaha gogilo gogo”, o último passo para seu “cérebro” dar tilt.

Se os soldados assassinos não são “o exército”, quem é então? Que diabos de abstração é essa que não serve nem para seus agentes?

Povo? O que o Presidente quer dizer com isso? Todos sabemos que militar é militar e que civil é civil. Portanto, existe uma intersecção ou união entre ambos que só mesmo uma mente brilhante como a de Bolsonaro é capaz de lidar?

Mas claro, quando alguem diz algo de útil, o elogio e a consideração jamais podem ser deixados de lado. Bolsonaro está certo ao dizer que não foi o exército que matou o músico. E não queiram achar que foi obra dos soldados!

As forças armadas, como bem sabemos, seguem uma cadeia de comando. E no topo dessa cadeia está Jair Messias Bolsonaro, chefe não só do governo federal mas também do Estado brasileiro.

Assim, o canalha apedrejador dos direitos humanos (isto é: o destruídor daquilo que existe para que o Estado não venha a suprimir os direitos dos indivíduos e, dessa forma, impedir que casos como o do músico ocorram) é o grande responsável pelo negro fuziliado no Rio de Janeiro.

As oitenta balas que furaram aquele corpo preto estavam polidas à merda!

Isaias Bispo de Miranda – 12 de abril de 2019. É escritor no Filosofia e Cultura e estudante de filosofia na PUC-SP.


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