O nosso inferno de cada dia… dai-nos hoje!

Gente imbecil há nos quatro cantos do mundo. Mesmo países considerados verdadeiros oásis de qualidade de vida, como Suíça e Finlândia, possuem sua cota de imbecilidade. Este é um mal do qual não podemos nos livrar. Uma doença para qual não há cura. O máximo que podemos fazer é remediar, e talvez dar uma anestesia continua que nos alivie as dores dessa enfermidade. E aí vamos levando a vida.

Isso tudo funciona bem quando um país consegue ter um sistema cultural funcionando plenamente, fazendo com que a produção cultural gire cotidianamente. Uma escola básica funcionando, com professores bem pagos, é crucial para isso. Agora, quando falta isso, principalmente a boa escolarização, não há penicilina nesse mundo que amenize os efeitos da imbecilidade. No Brasil, estamos nessa fase.

Somos um país rico, 7º economia do mundo, populoso, com extensão continental, mas com uma das piores escolas básicas do mundo. Ao menos entre os 36 países da OCDE estamos na lanterninha. São quase cinquenta anos com o professorado esmagado por baixos salários e péssimas condições de trabalho. Dessa forma, não há escola básica funcionando, e aí a cultura não gira, e o reino da imbecilidade impera.

A reação da população brasileira diante da crise penitenciária mostra bem esse quadro. Não se trata de ser de esquerda ou direita, conservador ou liberal, monarquista ou republicano, carnívoro ou vegetariano. Se trata de ser imbecil ou não. E aí, o que vemos é uma população completamente analfabeta funcional e, imbecil.

A lógica dos números penitenciários, que funciona no mundo inteiro, sem ser necessário um expert no assunto para entendê-la, é a de que “prender não resolve o problema da violência”. Países com altos índices de encarceramento tem números elevados de violência urbana, e onde o encarceramento cresce rapidamente, como no Brasil, os índices de violência não recuam. Mas há gente que pensa (será?) que basta prender, prender, e prender mais. E tudo será resolvido. Inclusive reduzindo a maioridade penal.

O que vemos nos presídios – e agora isto está exposto no nariz de todos nós – é por um lado a formação de verdadeiras escolas do crime comandadas por facções perigosíssimas, e por outro nossa incapacidade de cuidar de nós mesmos. Nós mesmos sim! E é aí que entra nossa imbecilidade, pois a cadeia está de portas abertas. Ela recebe traficantes, assassinos, agora também corruptos, mas recebe pessoas presas por engano, que cometeram delitos levíssimos como um acidente de trânsito, ou até mesmo que deixaram de pagar pensão alimentícia a filhos fora do casamento. Isso pode acontecer com todo mundo.

Você pode ser preso por engano e passar poucas horas atrás das grades. No caso do Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, ninguém mais permanece nas dependências das delegacias. Rapidamente você vai parar em Bangu, no meio de traficantes e chefes de facções criminosas. E aí… reze, pois é o que lhe basta. Ou tenha dinheiro e pague um bom advogado!

Ver as rebeliões nos presídios nos últimos dias, com vários assassinatos e até decapitações não pode trazer alegria e prazer ao ser humano. Só mesmo um imbecil para pensar que com o que viraram nossos presídios, um inferno, poderemos ter algum avanço na segurança pública e na diminuição da criminalidade. Não. Não podemos. Essa bomba relógio, o inferno carcerário, é um demônio do qual não mais poderemos fugir, e do qual também não poderemos nos esconder. Não há exorcista nesse mundo que nos livrará dele. Ficar de longe assistindo tudo, batendo palmas e rindo, achando que tudo está bom, vai durar pouco. Em alguns dias o que acontece dentro daquelas paredes gerará efeitos aqui fora, com mais assaltos, assassinatos, mais e mais violência. E aí seremos pegos e… eliminados. Aqui fora. Ou lá dentro. A diferença entre nós que estamos do lado de fora do presídio, e quem está lá dentro, é a mesma entre o focinho do porco e a tomada. Por isso, cuidado. Há gente que realmente confunde os dois!

Licenciado em História pela UFRuralRJ e Especialista em Ensino de História pelo Colégio Federal Pedro II. Professor de História da rede pública no Rio de Janeiro. Pesquisa história antiga, especificamente Jesus Histórico, judaísmo, Judeia Romana e Cristianismo Primitivo.

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8 thoughts on “O nosso inferno de cada dia… dai-nos hoje!

  1. A reflexão é muito interessante. A imagem expõe seres humanos, em respeito a familiares preferi não compartilhar.

  2. Sou professor de História em São Paulo, e sei que a questão é educacional e os poucos investimento, bem como a capacidade cultural do professorado e da comunidade de se envolver politicamente e se engajar em soluções faz com que a irresponsabilidade da escola e da comunidade gere alunos e futuros cidadãos sem sonhos e projetos de futuro.
    Eu falo assim, pois fiz a minha parte até perder o emprego na PMSP, onde descobri e provei manipulação no Conselho de Escola e na APM na escola.
    fiz denúncias detalhadas em 52 petições junto a Secretária Municipal de Educação, ao MP e no TCM.
    Acabei demitido e a situação não resolvida por falta de apoio dos professores em primeiro lugar e a enganação da comunidade por uma diretora manipuladora e seu grupo de gestão.
    Assim, sem a união organizada da sociedade e a coragem de muitos que se dizem formadores de opinião, não chegaremos a uma educação responsável e de qualidade geradora de ganhos sociais duradouros para a criação de riqueza cultural, patriótica e econômica.

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