O raso mundo da política

Tudo que há para ser visto hoje é visto pelos olhos da política. Onde não há política em volta, colocam-na no meio forçosamente. Nesse sentido, vivemos a época da hiperpolitização, mas da má politização, pois quando vemos política em tudo e tudo se resume a ser de esquerda ou direita, a ser socialista ou liberal, estamos no vazio da vida e na pobreza de experiências.

A conversa política, na sua forma mais grotesca, engole e dissolve qualquer outro assunto que não seja si própria. Digo que isso é o vazio de experiências pois as pessoas que conseguem dizer que “tudo é político”, estas pessoas nunca choraram diante da beleza de uma música, nunca se emocionaram com um drama hollywoodiano, nunca observaram uma criança brincar, nunca beijaram ou abraçaram . . . nunca se apaixonaram. Que tipo de vida é aquela em que nada existe por si só e somente é um espectro da política?

A única pergunta que importa: Nietzsche é de esquerda ou direita? Platão é de esquerda ou direita? O filme Roma é de esquerda ou direita? A Capitã Marvel é de esquerda ou direita? Hollywood é de esquerda ou direita? E nada mais importa. Enquadrar tudo à política dos nossos tempos é o que restou para se fazer. Com isso, tudo que está além da linguagem política dos nossos tempos não pode ser tocado, não pode ser compreendido.

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