Onde está a democracia dos partidos?

As eleições estão próximas e as pesquisas continuam mostrando que há um número exponencial de indecisos, brancos e nulos. Não só por causa da crise política e econômica ou porque as propostas, as campanhas e os debates não empolgam. O problema está, em grande parte, na crise da representação política.

A solução para essa crise não está em uma reforma política promovida por gente como Renam Calheiros e Gleisi Hoffmann, por exemplo. A solução passa justamente por essa atitude de boa parte da população de não votar em ninguém, mas depende, principalmente, da democratização interna dos partidos políticos.

O recado das urnas nas últimas eleições mostra que cada vez mais pessoas se mostram indispostas a votar em candidatos escolhidos pelos altos escalões dos partidos. Primeiro porque eles em geral são ruins, segundo porque não apresentam nada novo, e terceiro porque já estão comprometidos com um projeto prévio de poder. Para você ser escolhido pelo seu partido (ou pela coligação) para ser, por exemplo, Presidente da República, já imaginamos um monte de coisa sobre as suas conversas privadas com essa gente.

A democratização interna dos partidos, hoje, é uma realidade distante. O PT já definiu que em 2018 é Lula lá, o PSDB está entre dois ou três velhos conhecidos, o PMDB vai colocar quem souber roubar mais, a REDE vai lançar a Marina Silva enquanto ela estiver disposta a isso. Qual a chance de sair, daí, um candidato novo, capaz de fazer propostas interessantes, e sem comprometimento com alguma claque?

Existem, basicamente, três meios de surgir um candidato novo: 1) você cria com seus amigos do DCE um partido político capaz de lançar uma candidatura própria (improvável e dispensável); 2) com a liberação de candidaturas independentes (a proposta é boa, mas por enquanto parece difícil de passar no Congresso); e 3) os partidos passam a dar voz a todos os seus filiados, realiza eleições internas para escolher os candidatos aos cargos públicos e abre mão da ânsia pelo poder, que é justamente o que os destrói (é difícil, mas pode ser que o recado das urnas provoque algo parecido em algum partido político).

Licenciado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Mestrando em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Estudante de especialização em Educação, com ênfase em Ensino de Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Editor adjunto da revista Redescrições. Membro do GT da ANPOF “Semiótica e Pragmatismo” e membro associado da The Richard Rorty Society. Finalista do Prêmio JOTA/Inac de Combate à Corrupção do ano de 2016. Participou da organização do XIV Congresso Internacional da Société Internationale pour l’Étude de la Philosophie Médiévale (SIEPM). Atua nas seguintes linhas de pesquisa: Tolerância no Liberalismo Moderno; Liberdade de Expressão; Pluralismo de Valores; Liberalismo; Socialismo; Social-Democracia; Filosofia Política e Social; Filosofia Moderna.

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One thought on “Onde está a democracia dos partidos?

  1. Há três coisas fundamentais que precisam serem feitas caso a Reforma Política seja séria: primeiro, candidaturas avulsas sem partido, como nos EUA; segundo, democratização interna dos partidos políticos para que haja prévias na escola dos candidatos ao executivo; e terceiro e último, o fim da reeleição para cargos do legislativo, forçando assim uma renovação na política, e acabando com o profissionalismo.

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