Política sem politização

As eleições presidenciais de 2018 chegarão, e eu continuarei como estou agora: sem dar essa importância toda à coisa. Ou melhor, sem dar o mesmo crédito à politização, que outros estão dando.

Pessoas dizem suas intenções de voto, e suas preocupações com as outras intenções, como uma continuidade para seus discursos rotineiros. Quer dizer, se a pessoa usa seu dia a dia para falar que é pró-minorias e contra o enfrentamento armado da violência urbana, compromete-se com a ojeriza a Bolsonaro; se a pessoa aferra-se à ideia de que possa haver um salvador para o “mal crônico” do Brasil, a desigualdade social e econômica, tampa os ouvidos às acusações ao ex-presidente e anuncia seu voto nele; se a pessoa discursa em favor de respostas a problemas sociais e urbanos, sem muita elaboração e discussão, afirma apoio a Doria. Isto, caso queira manter uma imagem de elegância. Caso tenha aquele interesse, mas não se importe com a tosquice desavergonhada, vai de Bolsonaro.

Esses discursos são assumidos em identidades, procura-se conformidade entre falas e atos. Do meu lado, não acho que precise escolher um candidato para me livrar de outro. Deste modo, não é ruim que não haja nenhum candidato que pareça impoluto e bem intencionado. O voto branco ou nulo afigura-se uma opção fácil.

Já no início das campanhas, veremos um festival de ataques de todos contra todos. O candidato eleito governará com a oposição feroz: é impossível que se repita o encantamento geral que se viu com o “Príncipe dos sociólogos”, com o “Primeiro Presidente Operário” e com a “Primeira Presidente Mulher”. Desta vez não se verá nenhum consenso aprovador. O que se terá, repito, são emperdenidos aqui e acolá, e a avalanche de críticas que eles sofrerão.

Eu ficarei assistindo e comentando. Esta é uma forma de participar, de responder ao papel que me cabe. Oxalá mais gente se faça crítica, e menos militante.

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