Quando ela bate na sua porta…

Se um dia me fosse imposto a ter de escolher uma, e somente uma, lição para carregar por toda a vida, sem sombra de dúvida, seria esta: nunca desperdice uma bimbada.

Uma bimbadinha aqui, outra ali. Na mocinha que passou feito avião. Aquela funcionária do parque te garante alegria como ninguém, hem? O nome dela é Esperança de Felicidade!

Mas é história velha que quando Deus criou a oportunidade, o Diabo ficou com raiva e inventou a ansiedade.

Está aqui, bem na nossa frente, aquela coisa enfeitiçada, que, na medida que você esfrega, o que era delicioso fica fenomenal. Eis que o Diabo se intromete onde não deve e lança: “Circulando, rapaz!”! Você se toca que nem beijou a moça ainda! É o fim. O Diabo sempre termina o que começa.

Mas não! Quem disse que estava tudo arruinado? O mar continuava para peixe. A vara, a isca, tudo checada. Simplesmente o peixe-mulher não é para qualquer um, porque é ele que te fisga.

Ansiedade é a palavra.

O ansioso é o cara que, como eu e você, pira numa redonda. Bate no céu, aperta no chão, comprimi no vento toda a sua euforia para com a forma feminina. Não obstante, quando tem de lidar com o disforme, o prazer é tanto, o limite da melhor coisa do mundo se excede tanto, que, passados alguns minutos, ele não sabe se tira a coisa da coisa primeiro ou põe a cara no chão.

Para um ansioso, as melhores coisas do mundo sempre trazem consigo as piores. O sexo se torna uma armadilha, onde a carne, a fruta, vêm podres. No limite, em pouco tempo o ansioso não enxerga outra opção senão evitar o que promete ser bom.

Bem, e o que dizer para ele? O que ele deve fazer para gozar da sua recompensa? Não dá para viver assim!

Minha resposta para isso é ”nada”. Não tenho solução para ansioso algum. Afinal, será mesmo que existe tolo o suficiente para não saber que é ele que tem de descobrir como lidar consigo?

O único motivo de eu ter tocado no assunto ansiedade é que até mesmo o maior ansioso dos ansiosos, caso aparecesse aqui, diria: “O Isaias tem toda a razão! Nunca desperdice uma bimbada! Porque quando ela bate na porta, vem personificada como a puta das putas!”.

Isaias Bispo de Miranda – 21 de novembro de 2017

 

Isaias Bispo de Miranda é violoncelista com formação na Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP). Graduando do bacharelado em Ciências e Humanidades e do bacharelado em filosofia, ambos na Universidade Federal do ABC (UFABC), estuda a obra do filósofo alemão Peter Sloterdijk pelo Centro de Estudos em Filosofia Americana (CEFA), onde também é membro.
Gostou? Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *