“Salve a Seleção!” Seremos salvos?

Dizer que futebol é como uma religião é uma banalidade. Mas direi-o de modo não banal. Nesta Copa do Mundo, uma pessoa está a tentar convencer a outra de que é para se animar. Mas as grandes multidões de outros tempos não têm se formado.

Como o cristianismo, com a Seleção espera-se unir o povo horizontalmente, e então verticalmente. Uma integração cultural, as mesmas cores, e um escrete que é um deus que agora se tem por não infalível. Mas achar esse deus ruim é heresia. Não celebrar os jogos é infidelidade. É como se se precisasse e permitisse crer 100% em alguma coisa, sem diferenças.

As diferenças políticas, as diferenças quanto ao aborto, as diferenças de vivência sexual e de vivência da sexualidade do outro incomodam. As pessoas querem a concordância, mesmo que sem concórdia.

Agora os gritos e cornetadas, o igual ritual comandado pelo Galvão, sob efeito de álcool e do sal do churrasco, movem os corpos como se novamente fossem milhões em ação. Isso tudo para tocar o coração, mesmo que as discordâncias estejam só esperando a Copa acabar. Aí não importará se a Seleção venceu ou não. Ela foi salva, apoiada, mas ela não nos salvará.

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