Nos acostumamos com o fundo do poço na educação!

Se há uma notícia que não mobiliza mais nada em nossa sociedade é a sobre o fracasso da educação pública. Tirando a meia dúzia de professores que se dizem chocados – isso superficialmente – ninguém mais se preocupa com isso. Prova maior é o fato que o jornal Folha de São Paulo tirou de sua versão impressa o Caderno Educação porque ninguém mais o lia.

Hoje mais uma vez veio a notícia que estamos pra lá de careca de ouvir: sai o resultado do IDEB, o índice que avalia a educação, e tudo vai de mal a pior. O Ensino Médio patina sem sair do lugar, e o fundamental dá passos de tartaruga rumo a deus sabe lá o que. Ontem veio a notícia de que somos o país que mais agredido os professores. Semana passada tinha aquela que dizia que os professores brasileiros são os mais mal pagos do mundo. E aquela outra de um tempo atrás, onde milhares de professores no Paraná levaram tiros e porrada da polícia. Vocês se lembram? É uma notícia dessa atrás da outra. Estamos descendo a ladeira da educação completamente desgovernados.

No fundo os discursos em defesa da educação que aparecem aqui e acolá são pura demagogia. Tanto de governantes… quanto de professores. Pouca gente está realmente preocupada com a educação brasileira. E menos gente ainda sabe o que deve ser feito para revertermos esse quadro que vai de mal a pior. O fundo do poço da escola pública parece que nunca chega. É como se a praga rogada pelos militares contra o ensino público nunca perdesse seu efeito. Nem mesmo a varinha mágica da fada do dente ou a maçã envenenada da Branca de Neve tem efeito tão duradouro.

O fato é que o ensino brasileiro parece nunca parar de agonizar porque há um sofrimento maior  por detrás de tudo isso: o salário do professor. As reformas empreendidas pelos militares na década de 70 colocaram o vencimento dos docentes em uma montanha russa que só desce, e transformaram seus contracheques e verdadeiras cartas de suicídio. Faz quase meio século que o salário do professor vem sendo esmagado por todos os governantes sem que nenhum deles reverta isso.

Nem mesmo a redemocratização foi capaz de vencer a praga dos militares e recolocar nossos mestres na classe média. Após quase três décadas de democracia – o período mais longínquo de nossa história – damos continuidade aquilo que a ditadura iniciou. E isso independente de governo, partido ou ideologia. Seja PT, PSDB, PDT, PMDB, PSOL, ou qualquer outro, ninguém reverte o arrocho salarial dos professores. É a política pública mais duradoura da história da nação. Quase meio século já. Nenhuma outra durou tanto assim. Entra governo e sai governo e ninguém recupera o salário do magistério. E com os R$ 13,00 de hora-aula, continuaremos a ler as mesmas reportagens de sempre. Sem nenhuma indignação. Já estamos vacinados!

Licenciado em História pela UFRuralRJ e Especialista em Ensino de História pelo Colégio Federal Pedro II. Professor de História da rede pública no Rio de Janeiro. Pesquisa história antiga, especificamente Jesus Histórico, judaísmo, Judeia Romana e Cristianismo Primitivo.

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