“Se nada der certo…”

“Se nada der certo…”: Frase pessimista quanto às possibilidades de alguém realizar a si mesmo, aquela imagem que lhe prometeram. Será que minha autopromessa, e o trabalho de se tirar daí uma ação, são suficientes para eu me realizar?

O mal-estar na civilização se dá não só pelas exigências, que nos fazem, de renúncia da agressão e amor, mas pelo preço que nos cobra o orgulho abandonado. Minimizamos o “eu tenho algo, vou apresentá-lo e me orgulharei do feito”, e inflamos o “eu não tenho, preciso ou pegar ou que alguém me dê.” O mundo, então, é sempre frustrante, e o indivíduo chora pela possibilidade de não se realizar.

As revistas me ofereciam caminhos para essa autorealização, mas, ansiosamente, fui respondendo “não consigo” para todas elas. Confesso fracasso até para o coach.

Os alunos do colégio Marista (http://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,escola-e-acusada-de-discriminar-profissoes-em-atividade,70001826867) celebraram o fracasso. É a antítese da feira de negócios, depois tornada um show de talentos, lúdico: eram a exibição de sucesso, e também de fartura. A celebração da miséria, no colégio, é a desistência de chorar pela carência não resolvida. Passaram a rir sobre ela. É como se a pior desgraça do mundo, aquela digna do enternimento da tv, do vlog ou do snap, não fosse o morador de rua, mas o eu miserável. Não me surpreenderia que a Caras passasse a mostrar a dureza da vida dos famosos que estão respondendo às leis.

Vi professores comentando o fato ocorrido no colégio Marista, dizendo que se nada der certo eles virarão hippies em Mauá. Se as promessas não se realizarem, ao indivíduo vale o escapismo. Rousseau saiu de sua sociedade, e refugiou-se no Lago Biel. Sobre uma canoa, ele flutuou. Livrou-se de todos, inclusive de sua própria direção de pensamento. Deixou que as ondulações na água o fizessem devanear. Ele então sentiu a pura presença de si mesmo. Encontrou-se.

Nosso exemplo mais próximo de escapismo parecem mesmo os hippies. É um caminho que parece vir da natureza, não da sociedade, nem do eu. Já os garotos Marista não arredam o pé do eu. Mas não têm nenhum pensamento a ser afastado por um devaneio. A tensão que experimentam é na superfície. Eles se queixam de que o mundo não é tão liso, tão franco quanto gostariam. Ele é rugoso e desafiador.

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