Trump mata mais uma vez

Trump mandou e acaba de ser morto o comandante das forças armadas iranianas. Por frações de segundos, morreu não só alguns homens como também um longo e penoso acordo de paz. Os especialistas falam numa ”tensão gravíssima na região”. Mas eu só me ponho a pensar em como pode os mesmos países que em 2015 protagonizavam um acordo de stop! com a nuclearização estarem, agora, protagonizando uma peça onde as personagens estão todas pintadas a sangue.

Serei eu o problema? Será que sou inocente demais? Eu realmente não me canso de perguntar se a minha indignação para com a selvageria é somente mais uma coisa minha, que nem dor de dente e dor de cabeça, porque o clima geral parece ser o da naturalização da violência, o do achar normal a existência da barbárie uma vez que ”ela está aí desde quando o mundo é mundo”.

Para os que acham que a violência é ”normal”, faço só uma perguntinha, e já adianto que se a resposta para ela for ”não”, vocês devem seriamente pensar em passar no médico para avaliar o funcionamento cerebral, okay? Então vamos lá: Viver na Alemanha de hoje é a mesma coisa que viver na Alemanha nazista? É claro que não. Assim como o mundo, a Alemanha de hoje é outra, caindo por terra, portanto, a ideia de que ”as coisas são ruins assim mesmo” toda vez que convidarmos quem diz isso a pesquisar ”Auschwitz” no Google. O remédio para a estupidez desse tipo de indiferença é uma boa dose de história.

Porém, a indiferença calcada na burrice de uns não chega a me irritar tanto quanto a falta de ousadia, de força moral de outros em desejar não o cessar dessa nova crise que está se abrindo entre Irã e EUA, mas, sim, o cessar de todas as crises! E digo mais: Por que não desejar o cessar de absolutamente toda e qualquer violência? Acha-me ingênuo? Ou você até concorda comigo, todavia não hesitaria em me dizer que ”minha ideia é pouco prática”? Há ”violências que coibem violências maiores”, né?

E ainda me chamam de bobo! Contra minhas bobagens, insurgindo-se contra minhas obviedades, usam de obviedades ainda mais bobas! Falam o que qualquer um por aí pode dizer! Bobo ou não, eu sou um daqueles que defendem a velha e ingênua ideia de que não é preciso perder a vida para amá-la e, enfim, vivê-la. Mas alguns, não: apostam a própria vida porque não a amam e, enfim, não a vivem. São os que acham um absurdo imaginarmos um mundo onde Donald Trump fosse um grande construtor de habitações para sem-tetos e Qasem Soleimani, o comandante morto, fosse um grande muralista.

Isaias Bispo de Miranda – 3 de janeiro de 2020

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