“Uberização” da Rede Globo

A História Econômica já nos revelou momentos como o “fordismo”, quando as indústrias organizaram sua linha de produção, ou mesmo a “pejotização”, quando o trabalhador deixou de ser trabalhador e virou uma empresa, com o seu próprio CNPJ. Agora, vivemos um novo movimento, a chamada “uberização”.

O Uber é um aplicativo de transporte de passageiros, mas o que conta aqui de verdade não é sua finalidade, mas sim seu modo de funcionamento. Através de um App no celular que cabe na palma de sua mão, você “contrata” uma corrida e paga por ela sem gerar nenhum vínculo com o motorista, que em tese é o prestador de serviços. Contudo, o ponto central é que, entre o motorista e o Uber, também não há nenhum vínculo, mais especificamente, nenhum vínculo trabalhista.

O motorista é então o chamado autônomo. Em palavras mais belas e suaves na boca dos liberais, é um “empreendedor”. Tem uma suposta liberdade já que não possui patrão. Trabalha o dia e a hora que quer, e o Uber o remunera pelas viagens que realiza. Só que essa liberdade é extrema, de modo que não há nenhum direito trabalhista, seja salário, 13º, FGTS, férias, auxílios, nada. Nem mesmo carga horária ou descanso remunerado. Tudo fica por conta do motorista. Ele que arque com tudo isso.

Isso tudo é um sonho apenas para os liberais. Eles que defendem o capital e o lucro vêem nisso vantagens, mas na prática o que temos é uma precarização do trabalho com uma massa de pessoas em uma situação de extrema vulnerabilidade, e alto grau de incertezas. Direitos trabalhistas são um fiel equilíbrio na relação entre capital e trabalho, de modo a proporcionar uma vida mais digna ao trabalhador.

No mundo atual, onde o capitalismo financeiro superou o capitalismo industrial e se tornou o “Capitalismo”, o processo de uberização parece ser um caminho sem volta. Tudo no mundo caminha para se transformar em um App, com empresas que cabem na palma de nossas mãos, e nem mesmo uma sede física possuem. As relações de trabalho, já tão precarizadas, são ainda mais enfraquecidas de modo que os direitos trabalhistas são esgarçados de uma forma jamais vista no mundo atual.

A Rede Globo, um conglomerado de comunicação com ações na Bolsa de Valores, não escapa ao Capitalismo Financeiro, muito menos ao processo de uberização. Depois de décadas de uma política trabalhista com contratos sólidos e estáveis para com seus atores, a Rede Globo começou a dispensá-los, alguns depois de quase quarenta anos de serviços prestados a emissora. A partir de agora, os atores serão contratados apenas para realizarem trabalhos específicos, pontuais, de modo que não terão mais um contrato fixo, com salário mensal. Gravarão as cenas, receberão por elas, e depois serão dispensados. Em pouco tempo a Rede Globo desenvolverá seu próprio aplicativo, por onde convocará os atores e atrizes para os trabalhos. É a uberização chegando a Rede Globo.

3 thoughts on ““Uberização” da Rede Globo

  1. Muito triste essa realidade em que estamos inceridos.E percebe.se à cada dia e em setores como a cultura sofrer com a desvalorização do ser e seu potencial,sua história,seu legado.

  2. Hugo sou servidora pública aposentada e sindicalista,vivi várias mudança,mas como a uberizacao e cruel para o trabalhador,sinto angústia,de ver a retirada de direitos,o pior que os trabalhadores estão iludidos.

    1. Ana Lucia a uberização é o auge completo do neoliberalismo, com a total supressão dos direitos trabalhistas e a precarização por completo da vida do trabalhador. Precisamos construir caminhos de superação ao neoliberalismo.

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