Uma análise sobre o rosto do Bolsonaro

 Se tem algo que eu me deleito em fazer e até tenha certa inclinação, isto é certamente analisar o rosto de uma pessoa. Não simplesmente pairar os olhos sobre o semblante de outrem, mas sim fantasiar sobre o elo entre suas expressões faciais e sua própria personalidade, como se nosso rosto denunciasse toda a profundeza de nossa alma. É como se as nossas expressões costumeiras fossem cravadas na tela branca e oca de nosso rosto e de lá não podendo escapar nunca mais. Por exemplo, sabe-se lá desde quando isto me incomoda, mas sempre tive uma certa aversão a lábios cerrados. Sabe, quando a boca se esforça em se esconder, em não aparecer, em reprimir seus lábios?! E sabe por que isto me incomoda? Porque não há nada que não esteja ao alcance de belos lábios. Lábios bem desenhados são o próprio traço da sensualidade e a própria promessa numa vida mais leve. Sim, pois estes carregam a beleza e a suavidade da vida. Quando eu vejo o esforço em se cerrar os lábios, eu pressinto que queira se findar a própria leveza. Não é à toa que esta expressão seja a marca caricata de um general, ou alguém do tipo, como realmente aconteceu em alguns casos, como Hitler, Hess ou Bolsonaro.

 E não é justamente isso que estes desejaram? Seja com campos de concentração, seja com a liberação do porte de armas ou com o saudosismo dos tempos da ditadura militar, o que se quer é somente uma coisa: tornar predominante aquilo que pesa em nossos ombros. Enaltecer o conflito, a tensão, a rispidez, tudo isso é o que o coração sincero de Bolsonaro anseia. Se nos deixarmos ser conduzidos pelo palavrear de Bolsonaro sobre o porte de armas, iremos compreender que o que se deseja com a sensação torpe e vigorosa de se apoderar de uma arma é tão somente intensificar os conflitos da vida. Já seria um erro tornar o indivíduo responsável pela sua própria segurança, mesmo se houvesse estudos sobre a efetividade do porte de armas. Mas nem isso há, o que torna as intenções desse senhor de 63 anos ainda mais estranhas.

 Isso tudo já não está escrito no próprio rosto do Bolsonaro? A boca curva e sem vida do Bolsonaro se fez assim pelas próprias atrocidades contidas no seu âmago. E como poderia ser diferente? Se é por esta boca que escapam as palavras reprimidas em seu coração. E como seria diferente? O rosto não é o feito da natureza para que não se esconda a alma? Perceba como o rosto do Bolsonaro é excessivamente tenso e desconfortável e perceba como são caídos os cantos de sua boca, parecendo até que deseja expressar um certo desgosto ou alguma reprovação. Não se trata em nada de um rosto suave. E sobre o rosto fechado dele? Quero dizer, quando as extremidades do seu rosto se tensionam ao centro, ‘fechando’ a cara. Isto já não diz tudo sobre o seu comportamento pouco amistoso para com os demais? Pois suas disposições sempre se distanciaram dos sentimentos fraternos, que tanto inspiraram a humanidade.

 É preocupante que meus concidadãos não tenham percebido isto. Mas seria ingenuidade também achar que eles não notaram, já que este tipo de análise é algo que está incrustado em nosso ser. Sempre pensamos pela aparência. Então será que isto não foi percebido pela maioria e foi exatamente isto que ela desejou? Ou seja, uma pessoa firme, uma pessoa dura, alguém aparentemente nada complacente com os jogos políticos, que, não sem razão, irritam tanto nossa população. Pois há inúmeras formas de se apoderar das ambiguidades de um rosto. E um rosto sério também não é sedutor? Aquele ar de que está disposto a fazer aquilo que for necessário, seja o que for. Ah, a palavra necessidade! Sempre se faz presente para justificar as barbáries. A crueldade facilmente se traveste de necessidade. Como a “facada” de Paulo Guedes ao Sistema S, e como, também, as antigas propostas sobre o fim do financiamento público à Parada Gay. Estas declarações sempre escondem suas reais intenções na necessidade. E claro que se tratando do Bolsonaro fora a crueldade todo o resto é uma fraude.

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