Você deveria ler isto

Eu não leio o que me indicam, exceto quando vem de alguém a quem eu admiro e é de um assunto que eu gosto. Livro emprestado, então, demoro para devolver só para não ficar chato. Mas faço isso com as outras pessoas, indico com a suspeita de que a aceitação é por educação.

O interesse por que alguém mais tenha determinada visão ou inspiração não pode me fazer avançar sobre a ação de alguém. O fanático, do Cioran, quer ser o iniciador de acontecimentos. Não é “sujeito fanático”.

Sujeito, em Sloterdijk, é aquele que passa da teoria, da autoconsulta, para a prática, a auto desinibição. Sloterdijk também diz que um sujeito é aquele que é suspeito de ter duplos pensamentos.

O que será que inspirou determinada ação? O fanático não é sujeito pois quer ser a voz a falar na cabeça de alguém, determinando-o. E é obstinado nisso. É o anti-sujeito.

Não sei o que me fez ler filosofia, nem Homero, nem Goethe. Parece que foi vontade de conhecer. Também parece que foi outra coisa. Aconteceu. Não diria que foi um eu unitário quem o fez.

Ensinar, também, depende de que tal coisa aconteça com o outro.

Gostou? Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *