As tecnologias digitais e o dilema da educação básica em tempos de sindemia

A teacher uses a computer to talk to the students who are taking the class online, following the new social distancing rules against the spread of the Covid-19 virus, on September 18, 2020, in Bucharest, Romania. (Photo by Andrei PUNGOVSCHI / AFP)

Diante da atual conjuntura social em que nos encontramos devido à pandemia de covid-19 e a brutal transformação que ela provocou na realidade de várias sociedades no mundo todo, faz-se necessário rediscutirmos inúmeras questões no âmbito da economia, trabalho, saúde, educação, etc. O mundo não é, e, não será mais o mesmo. Precisamos pensar e criar um mundo totalmente novo e adequado à nova realidade ou melhor, ao “novo normal”.

E quando se trata de educação, fica mais latente a necessidade de mudarmos muitas coisas, tanto em metodologia, como em organização escolar a até em questões supra escolares e que estejam conectadas diretamente com o sistema de ensino como um todo. Precisamos criar e recriar uma nova escola, uma nova forma de lecionar, gerenciar a escola e todo o sistema educacional.

Sendo assim, é fundamental que diante de uma situação de pandemia e isolamento social, em que o processo de ensino-aprendizagem precisa ser exercido de forma remota ou de forma híbrida, possamos utilizar o máximo de recurso tecnológicos disponíveis para o desenvolvimento de um processo pedagógico sustentável e eficaz. Mas, antes de tudo, é necessário que haja apropriação e domínio de tais tecnologias por parte dos docentes. Para tal, é importante que as instituições educacionais como a Escola Secretaria de Educação, Ministério da Educação, etc. ofertem esses recursos e capacitar os docentes para que possam fazer o uso pedagógico adequado destes recursos de tecnologia educacional.

Muitos professores não vêm de uma cultura de uso de tecnologia em sala de aula. Muitos deles ainda usam recursos analógicos, como lousa, giz, mapa, folha de sulfite, etc. Não adianta cobrar dos docentes que eles dominem tais tecnologias sendo que nunca tiveram contato ou não desenvolveram o hábito por não serem capacitados pelas instituições educacionais ou mesmo por não terem essa estrutura nas suas escolas. Muitas escolas ainda são pouco estruturadas, principalmente as escolas públicas do Brasil. Infelizmente, essa é a realidade de boa parte das escolas brasileiras.

Portanto, para que tenhamos um debate construtivo e possamos pensar numa escola mais tecnológica e moderna, com professores se apropriando dessas tecnologias ao mesmo tempo em que diversificam suas aulas com o uso das mesmas, é importante que haja a confluência entre as instituições responsáveis por gerir a educação e o professores que estão na ponta do atendimento escolar. A primeira oferecendo a estrutura e a capacitação e o segundo se comprometendo em aprender, dominar e fazer uso das novas tecnologias digitais de informação e comunicação voltadas para as práticas educacionais, nas instituições de ensino, em tempos de pandemia.

A partir do pressuposto apresentado, precisamos saber de que forma o uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação pode auxiliar no resultado da aprendizagem nesta nova realidade. Como podemos melhorar a qualidade do ensino utilizando novos recursos tecnológicos de comunicação e informação, para que o centro do processo de ensino-aprendizagem seja sempre o aluno e não a tecnologia por si só.

Não obstante, a escola deve ser compromissada social e pedagogicamente com a formação do estudante, tendo a responsabilidade de mediar o conhecimento produzido no processo de ensino. Sendo assim, é fundamental que os profissionais da educação estejam preparados para esse “novo normal” que vivenciamos e vivenciaremos por tempo indeterminado, tanto na vida social como na prática educativa na escola.

Além das indagações, precisamos pensar também nos caminhos que o professor pode percorrer para se apropriar das tecnologias e mídias digitais e como o professor pode desempenhar um trabalho significativo em relação ao ensinar e ao aprender por meio do uso das tecnologias digitais. Para que o processo de modernização a atualização da escola e do sistema de ensino como um todo possa estar articulado e focado no aprendizado, proporcionando as melhores condições possíveis para a aprendizagem do estudante, sem perder o objetivo pedagógico do uso das tecnologias digitais.

Grande parte dos professores pertence ao que Marc Prensky chama de “imigrantes digitais”, ou seja, pessoas que não convivem com o mundo digital desde criança, mas começaram a se inserir nele durante a vida. Já os estudantes, em sua maioria são “nativos” digitais, pois têm contato com as tecnologias digitais desde muito cedo, e em sua maioria, já nasceram na era da internet.

Diante disso, fica notório que há uma disparidade entre a escola e os estudantes, sendo importante que haja um trabalho de aperfeiçoamento dos professores, para que eles possam se adequar a esse “mundo” de recursos tecnológicos úteis para a atividade pedagógica.

Para que o professor da escola contemporânea possa desempenhar um trabalho significativo em relação ao ensinar e ao aprender por meio do uso das tecnologias digitais, é fundamental que a tanto ele(a) como a escola possa entender a forma de pensar do estudante nativo digital. Só assim, a escola poderá promover um ambiente educacional atrativo e desafiador para o educando. Saindo do modelo tradicional de ensino, que mesmo gerando alguns resultados já não é capaz de atender sozinho às demandas do mundo contemporâneo e da realidade do estudante da era digital.

Também é importante atentarmos para os desafios e as possibilidades do trabalho decente em tempos de pandemia, pois toda esse debate sobre a adequação da escola à era digital passa por uma realidade atípica e que nos colocou no centro de uma problemática, que é a necessidade imediata de se aproximar a escola ao cotidiano do estudante, tendo como premissa uma situação de isolamento social devido a uma pandemia que impossibilita a realização das atividades presenciais como eram antes da atual condição.

De fato, neste período de isolamento social devido à pandemia de covid-19, é importante que os professores e a escola como um todo revejam suas práticas, estudem, pensem e repensem novas estratégias de ensino que façam sentido para o momento atual e para a vida do estudante, mas que também os professores saibam diferenciar o que é momento de trabalho e momento de descanso, tanto seu quanto dos alunos. A realidade que estamos vivendo é muito diferente de tudo que vivemos antes, sendo também diferente no que diz respeito ao trabalho e as horas e espaço dedicados a ele. Os professores precisam saber que têm limitações e sofrem com os problemas estruturais da profissão. Por isso, ao mesmo tempo que podem e devem assumir o protagonismo neste momento inédito, podem e devem saber o limite entre suas atribuições, a dos outros profissionais de ensino, dos estudantes e da realidade vivida por eles.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *