DIREITO À REVOLTA

DIREITO À REVOLTA

“Justa raiva”, eis o sentimento ético ensinado por Paulo Freire em “Pedagogia da autonomia”. Sentimento que não se esgota em palavras e discursos, mas que, sobretudo, molda consciências e inspira a transformação política em oposição à dominação econômica, ideológica e cultural das elites – funcionários do capital –.

Aos desavisados – aqueles que temem a polarização política – fica a interpretação equivocada de incitação ao “ódio”, porém, a “justa raiva” é fortemente antagônica, por uma simples razão, qual seja, coerência. Coerência em assumir uma posição política (radical) que não aceita passivamente a usurpação de uma República construída a “duras penas”, a partir dos anseios populares; por negar a entrega do país às milícias e igrejas evangélicas; por compreender que o “capital” é o sujeito da história e, por isso, o elemento central de um modo de produção e reprodução social gerador de desigualdades e aumento da distância social entre ricos e pobres, tendo no plano neoliberal a locupletação completa de sua expansão sem regras e compromissos.

“Justa raiva” representa o grito de revolta e indignação contra as mazelas perpetradas (miséria, fome, desemprego, mortes) historicamente no Brasil, e acentuadas conscientemente por um genocida no poder. Manifestar nossa revolta é a condição básica para colaborar na construção de uma politização coletiva que, por meio da pluralidade de ideias, venha a derrubar este tirano que tanto maltrata a sociedade, principalmente, as minorias. Entretanto, esta revolta deve ir além, ao promover a superação das consciências ingênuas às consciências críticas, no sentido de romper com a hegemonia do neoliberalismo e seus desmandos. Que demos o primeiro passo!

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