A RAÍZ DA QUESTÃO

Uma árvore tem suas raízes. Você imagina uma árvore que não tenha raízes? Ou seja, que não seja RADICAL? Que seja #DESENRAIZADA? Uma árvore sem raízes seria retirada facilmente da sua terra não é verdade? E um peixe que não fosse RADICAL, seria um “peixe fora d´água”, certo? E um barco que não fosse RACIDAL? Seria um barco à deriva, levado ao sabor das marés, como cego em tiroteio. Boiaria na correnteza do rio e, menos ou mais horas, alcançaria águas estrangeiras, que não o reconheceriam porque não nasceu ou se criou lá. Levado por fluências de um rio que não o acolheria porque não é o dele.

E um negro que não fosse etnicamente Radical? Existe? Claro, representado pelo CAPITÃO DO MATO. Um mero traidor, nem branco, nem preto, já que a traição é cinza!

E como fica a vontade destes que não são radicais? É mera projeção da vontade de outros. Vontades-sombras, projeção de outros corpos que não o seu próprio corpo. Imagine a situação: desejar como seu o que é do outro!

O Radical, o que está enraizado, tem sumo, tem seiva e, por isto, o sangue que corre em suas veias, são o seu sangue. Está na terra, porque é terráqueo, está no oceano porque é marítimo, está no espaço porque é aéreo. O contrário, é o que é da Terra, mas vive na Lua; é do mar, mas vive na ilha; é oprimido, mas vive como opressor… Em resumo: não é nem um coisa, nem outra, muito pelo contrário!

O capim sem raíz, é moderado, rasteiro, raso. Está praticamente deslocado da terra, um pobre desenraizado. Pragas costumam ser assim. Algumas até residem na superfície de majestosos arvoredos, vivendo da seiva, que não é, no fundo, delas. O inverso de radical é o moderado, uma caricatura humana que se sobressai por banalizar a própria moderação, relativizando tudo, até o irrelativizável. Sabe como é, todo mundo tem na família, no escritório ou fábrica (e na política!), um ente que merece a pecha de “filha da puta”, mas o moderado, por não poder assumir tal posição e expressão a pleno pulmão, mete panos quentes na situação.

O Radical precisa de fundura, o ameno de superficialidade. Por isto, a grande chance de cometer gafes, impropérios, erros crassos, camuflagens de realidade e mesmo assim, achar que está sendo autêntico e correto. Mantendo a “paz”. Moderados, amenos, se queixam das polarizações e conflitos que a vida impõe!

Não! Nenhum alienado é RADICAL, porque não se engana, comete o autoengano.

A alienação é a prestidigitação do fenômeno de individualização e superficialidade da sociedade do consenso. Não podemos avançar sobre o atoleiro de contradições em que vivemos, com amenidades. Seria como acreditar que o ar condicionado pudesse atacar a raíz das alterações climáticas. Só lidam com problemas em suas raízes os radicais, é sua “natureza”, digamos assim.

Em política, a mesma coisa, devemos recorrer e assumir claramente qual é a raíz de nossas convicções. Daí concluiremos se somos lobos ou ovelhas. Do contrário, restara apenas a tosca camuflagem retórica das peles: peles de ovelhas encobrindo lobos, e peles de lobos disfançando ovelhas. Não estou reduzindo a sociedade e a política a dualidade (lobos x ovelhas), estou apenas afirmando, de forma enfática (e radical!), que HÁ dualidade em nossa sociedade e em nossa política. Há conflito, há rico e há pobre, há empresário e há empregado, há pai e há filho… Há divergências, há diferenças e HÁ ANTAGONISMOS! E os antagonismos são tão escancarados que chega a doer as vistas, sobretudo, num país como o BRASIL. Não está certo isso de uns ferrarem a vida de outros e, tudo bem. Fazer o que? É a vida… Este “conformismo” é nojento e merece ser queimado por um lança chamas, você não acha?!

Ademais, chega a ser ridículo, não é mesmo: enganar-se a si mesmo.

Toni Grangeiro, psicólogo e psicodramatista

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