Escândalos húngaros em 2020

A Hungria é um pequeno país situado na região central da Europa com uma população de cerca de 9 milhões de habitantes. A capital do país é Budapeste, uma bela e charmosa cidade que é o centro financeiro e político do país e que abriga aproximadamente 2 milhões de pessoas. Embora a cultura húngara seja interessante para quem gosta de história, de gastronomia e de música clássica, o texto de hoje tratará de um aspecto não tão positivo sobre esse pequeno país: a homofobia.

Em outubro de 2020, um livro infantil húngaro chamado “Um conto de fadas para todos” (Meseország mindenkié) causou um rebuliço nacional. Ele foi publicado com o objetivo de recontar os tradicionais contos de fadas para crianças com personagens de grupos minoritários e estigmatizados. Por exemplo, o livro inclui personagens ciganas, uma minoria étnica que sofre muita discriminação na Hungria, lésbicas e não-binárias.

Esse livro se tornou alvo de ataques homofóbicos no país, porque um dos representantes do governo do Primeiro-Ministro Viktor Orbán fez questão de rasgar as páginas desse livro, uma a uma, em uma coletiva de imprensa, afirmando que o livro fazia “propaganda homossexual”. (Para nós, brasileiros, não é muito difícil imaginar uma Damares no lugar desse político.)

O próprio Ministro Orbán disse que a Hungria promove a tolerância em relação aos homossexuais, mas que há limites quando o assunto envolve crianças. Uma fala que faz uma referência clara à crença do senso comum de que homens gays seriam pedófilos. A grande ironia deste discurso de Orbán é que, no primeiro semestre de 2019, o Embaixador húngaro Gábor Kaleta no Peru, hétero e cristão, foi pego com mais de 19.000 imagens de menores nus em seu computador. Kaleta já foi afastado do cargo e sentenciado na Hungria.

Voltando ao assunto, a verdade é que já faz bastante tempo que o governo de Orbán tem causado derrotas na luta por direitos da comunidade LGBTI. Só para se ter uma ideia, em 2012, a constituição húngara foi modificada e o casamento foi declarado como a união entre homem e mulher, excluindo a possiblidade da união entre pessoas do mesmo sexo. Além disso, para quem  não sabe, o casamento gay não é legalizado na Hungria.

Diante deste cenário triste, o ano de 2020 reservou uma reviravolta para a extrema direita húngara. O mundo todo descobriu que o representante húngaro no parlamento europeu, József Szájer, que apoia o discurso conservador do partido de Orban, foi pego em uma orgia com 25 homens dentro de um apartamento em Bruxelas. Policiais belgas estavam fazendo uma blitz naquela aglomeração, porque durante a pandemia, isso é proibido. Em meio a vistoria policial, Szájer tentou fugir do apartamento pela janela, descendo pelo encanamento, na tentativa de não ser pego pelos policiais.

O parlamentar József Szájer, que é casado com a juíza húngara Tünde Handó, outra apoiadora do atual governo húngaro, já foi deposto do cargo no Parlamento Europeu. No entanto, o discurso ofensivo de Orbán contra a comunidade LGBTI ficou fragilizado, ou melhor, completamente desmoralizado depois deste episódio.

Enquanto o próximo escândalo do Primeiro-Ministro Orbán & Cia. não chega, o governo húngaro determinou que a editora que publicou o livro infantil Meseország mindenkié incluísse um “aviso” em livros que mostrassem padrões de gênero que se diferenciassem dos tradicionais. Infelizmente, a homofobia e a transfobia seguem firmes na Hungria.

One thought on “Escândalos húngaros em 2020

  1. Oi Miranda, parece que todo tradicionalista é enrustido!

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