Lula e Bozo na guerra de narrativas

A virada dos anos 70 para os anos 80 viu nascer no ABC paulista aquela que seria uma das maiores lideranças da história política do Brasil: Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula se tornou um grande líder do movimento sindical, tendo sua base no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. De lá, comandou greves memoráveis e a resistência dos trabalhadores da região à Ditadura Militar. Tornou-se um orador de primeira, e seus discursos passaram a movimentar multidões. Sua presença nos palanques das “Diretas Já!” se tornou regra. Com discursos inflamados e uma oratória quase que perfeita, Lula se consolidou como uma voz dos trabalhadores.

Por outro lado, Bolsonaro surgiu no quartel como um soldado rebelde. Envolve-se em situações pra lá de controversas, e acabou expulso das Forças Armadas. Desceu a Serra das Araras, de Resende – sede da Academia Militar das Agulhas Negras – para o Rio de Janeiro. Elegeu-se Vereador da cidade com apoio de militares e ex-militares, e logo em seguida consegui uma cadeira na Câmara dos Deputados. Lá permaneceu por quase 30 anos.

Durante sua passagem pelo Congresso Nacional, Bolsonaro não fez outra coisa senão travar uma guerra de narrativas contra a esquerda. Não apresentava Projetos de Lei, não presidiu Comissões, não foi relator de matérias, não fez nada além de comer e dormir, gastar o dinheiro público, e guerrear contra a esquerda no campo das narrativas.

Lula teve seu auge e em seguida seu declínio. Bolsonaro já viveu seu auge, e agora está em declínio. Ambos têm uma coisa em comum: o uso das narrativas. Se por um lado Lula se tornou um grande orador do ABC, por outro Bolsonaro se aperfeiçoou no combate ideológico através das narrativas. Mas ambos têm escorregado feio!

Recentemente Lula cometeu uma gafe ao dizer em uma entrevista que o coronavírus teria um lado positivo: “Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, que os cegos comecem a enxergar que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises.” Imediatamente, e não é para menos, as reações foram pesadas sobre Lula, o forçando a pedir desculpas no dia seguinte. Ora bolas, um vírus que já matou quase 500 mil pessoas em todo o mundo não pode ter nada, mas nadinha de bom. Ele só tem uma face, e é a face ruim.

Bolsonaro também escorrega em suas declarações, bem mais que Lula. Talvez por ser menos pudico, Bolsonaro não se preocupo com os próprios escorregões. Às vezes os faz por que quer! Mas alguns escorregões lhe dão um tombo e tanto. Sua declaração na Reunião Ministerial sobre a interferência na Polícia Federal lhe rendeu o desembarque de Sérgio Moro do Governo, e um inquérito no Supremo Tribunal Federal, com a PF cada vez mais perto dele e de seus filhos.

O fato é que, Lula e Bolsonaro vivem uma guerra de narrativas. Lula tenta voltar a ter protagonismo na política nacional e reconquistar o espaço que perdeu em meio à população, e para isso insiste em emplacar a tese de que o PT em nada errou, e de que ele, Lula, é a inocência em pessoa. Já Bolsonaro insiste em manter acesa uma batalha verbal contra a esquerda, a mesma batalha que travou durante todo o período em que esteve no Congresso Nacional. Se engana quem acha que essas duas narrativas não estão diretamente ligadas, talvez até mesmo umbilicalmente.

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